Mensagens de texto não ajudam mulheres a lembrar de tomar a pílula

Descoberta vem como surpresa para pesquisadores, que veem benefícios de torpedos para tudo

Reuters

03 Setembro 2010 | 16h42

NOVA YORK - Uma mensagem de texto de telefone celular - e o sinal sonoro que marca sua chegada - pode não ajudar as mulheres a lembrar de tomar a pílula anticoncepcional, sugere um novo estudo. A descoberta vem como uma surpresa para alguns pesquisadores, que têm visto benefícios dos torpedos para tudo, desde lembrar crianças a inalar medicamento contra asma até avisar banhistas a passar protetor solar.

"Ficamos surpresos com o poder que um lembrete pode alcançar, e isso é algo tão simples", disse o diretor do Centro de Saúde Integrada em Boston, Joseph Kvedar, que não esteve envolvido na pesquisa.

Desde que a perda do controle da pílula se tornou responsável por uma em cada cinco das 3,5 milhões de gestações não desejadas nos Estados Unidos, o Dr. Melody Hou, do Boston Medical Center, e sua equipe demonstraram interesse em avaliar se as mensagens de texto por celular poderiam ajudar a diminuir esse esquecimento potencialmente caro.

Os pesquisadores escolheram, aleatoriamente, 82 novas usuárias de contraceptivos orais, com idade média de 22 anos. Um grupo recebeu um lembrete diário via mensagem de texto e o outro não recebeu nada, mas foi orientado a usar alguns truques para não se esquecer de tomar a pílula.

Durante o estudo de três meses, ambos os grupos perderam uma média mensal de 5 comprimidos, segundo foi registrado em um dispositivo de monitoramento eletrônico nas embalagens dos comprimidos. Felizmente, nenhuma das mulheres engravidou, segundo relataram os pesquisadores na revista Obstetrics and Gynecology.

Em ambos os grupos, a taxa de pílulas esquecidas foi quase o dobro da média estimada pela pesquisa anterior, observa a equipe do Dr. Hou, sugerindo que a adesão da população em geral ao anticoncepcional possa estar superestimada.

Por que não foi observada diferença entre os grupos, especialmente quando as mulheres que receberam os SMS sentiram que eles foram úteis? Os pesquisadores sugerem que os sistemas alternativos de lembrete, usados por 68% das participantes que não receberam as mensagens de texto, podem ter desempenhado um papel importante.

"O grupo de controle foi motivado e encorajado a encontrar outras maneiras de lembrar da pílula", disse Kvedar, que liderou o estudo sobre protetor solar e observou como essa intervenção, juntamente com outras - como a de medicamentos para hipertensão -, pode não levar a um incentivo tão óbvio.

A atenção e o entusiasmo iniciais que vêm como parte do estudo, segundo Kvedar, podem ter diminuído ao longo do tempo, conforme foi evidenciado pela redução do uso da pílula.

Embora essa tendência tenha ficado evidente em ambos os grupos, as mulheres que não receberam mensagens de texto esqueceram significativamente mais a pílula como o passar do tempo. Isso pode apontar para algum benefício dos torpedos apesar de tudo, apontou o pesquisador.

"Sabemos por experiência própria que, se as pessoas estão motivadas e não conseguem se lembrar, então esse é um ótimo aplicativo," afirmou. Para melhorar a eficácia dos lembretes para uso do contraceptivo oral, Kvedar recomenda personalizar o conteúdo das mensagens de 160 caracteres para cada mulher.

O Dr. Santosh Krishna, da Universidade de Saúde Pública Saint Louis, que também não participou do novo estudo, acrescentou que melhores estratégias de comunicação, questões de privacidade e barreiras idiomáticas devem ser consideradas ao empregar mensagens de texto como uma ferramenta de saúde.

Ele sugere também que as pessoas também usem seus telefones celulares para definir lembretes a si mesmas, como "Não se esqueça de fazer exercícios", ou alarmes quando forem comer fora, para fazer escolhas mais saudáveis.

"Estamos transportando as pessoas para novos níveis de comportamento de saúde", disse Kvedar, "o que é perfeitamente alcançável com essa tecnologia, pois é bastante acessível e de baixo custo".

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.