Epitacio Pessoa/AE
Epitacio Pessoa/AE

Mesa farta para cuidar do câncer

Livro ensina a minimizar por meio da dieta os efeitos colaterais dos tratamentos oncológicos

Felipe Oda, Jornal da Tarde

02 Março 2011 | 07h44

Comer bem é o segredo para combater os efeitos colaterais dos tratamentos contra o câncer, tais como náusea, diarreia e boca seca. Para os médicos, é preciso desmistificar a ideia de que a refeição adequada, nesses casos, é a sopinha de hospital. Para isso, foi lançado ontem o livro Comida que Cuida Câncer, editado pelo laboratório Sanofi-Aventis e distribuído gratuitamente via internet. 

 

Gengibre, menta, salmão e até gomas de mascar são alguns ingredientes apresentados na obra, que reúne dicas dietéticas fundamentais para pacientes oncológicos. "Existem muitas superstições sobre a alimentação de pacientes oncológicos", afirma Ricardo Caponero, oncologista da Clínica de Oncologia Médica e do hospital Israelita Albert Einstein, que foi consultor da publicação.

 

Coordenadora médica do setor de Oncologia Clínica do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), Maria Del Pilar Estevez diz é preciso deixar as restrições de lado. "A cultura geral fala em muitas proibições, mas não existem alimentos proibidos. Na verdade, existem apenas alimentos que podem não ser bem tolerados durante os tratamentos", afirma Maria. "O ideal não é a sopa, sem sal e sem gosto. O paciente precisa de sabor", completa.

 

Diminuição do peso

 

Evitar a diminuição do peso do paciente durante o tratamento é um dos desafios dietéticos para os médicos. "O principal obstáculo para a terapia nutricional é a aceitação alimentar do paciente oncológico", explica a coordenadora do setor de Nutrição e Dietética do Icesp, Thais Cardenas.

 

Cerca de um terço dos pacientes oncológicos apresenta efeitos colaterais relacionados aos tratamentos de quimioterapia, radioterapia e imunoterapia. "O paladar e o olfato costumam ser afetados", observa Caponero. "Não podemos obrigar um paciente a comer. Mas nós temos de ajudá-lo com a readaptação do cardápio", completa o oncologista.

 

De acordo com a presidente da Associação Brasileira de Nutrição, Márcia Fidelix, "as reservas calóricas são fundamentais no tratamento, quando o organismo do paciente estará mais debilitado".

 

Entre os alimentos sugeridos estão os que contêm substâncias imunonutrientes, ou seja, que estimulam a resposta imunológica, as defesas do corpo, durante os tratamentos médicos. "O câncer é um processo inflamatório. O ômega 3 presente em peixes, como salmão, atum, cavalinha, age nesse processo", exemplifica Thais.

 

Além do ômega 3, os especialistas recomendam o ômega 6, a glutamina (presente em carnes, ovos derivados do leite e soja), arginina (carnes, ovos, leite, queijos e grãos) e as vitaminas A, E, C e B6. "É necessário, porém, individualizar a dieta em cada tratamento", indica Maria.

 

Diversos tipos da doença são ligados à alimentação

 

O desenvolvimento do câncer de mama, cólon (intestino grosso) reto, próstata, esôfago e estômago está associado a alimentação, de acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA).

 

Entre os alimentos citados como vilões - caso consumidos em grande quantidade e por um longo tempo - estão as gorduras, carnes vermelhas, frituras, molhos com maionese, leite integral e derivados, bacon, presuntos, salsichas, linguiças, mortadelas, etc.

 

Também existem os alimentos com alto índice de agentes cancerígenos, como os nitritos e nitratos usados para conservar alguns picles, salsichas e outros embutidos e alguns tipos de enlatados.

 

Os alimentos preservados em sal, como carne de sol, charque e peixes salgados, também estão relacionados ao desenvolvimento de câncer de estômago.

 

Já os defumados e churrascos apresentam alcatrão proveniente da fumaça do carvão - mesma substância presente na fumaça do cigarro e que tem ação carcinogênica conhecida.

 

Serviço. Baixe o livro Comida que Cuida- Câncer no site da Sanofi-Aventis

http://www.sanofi-aventis.com.br/live/br/pt

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