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Metade dos médicos recém-formados reprova em exame

48,1% dos profissionais não acertaram 60% de avaliação do Cremesp; prova, no entanto, não impede exercício da atividade

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Isabela Palhares,
O Estado de S. Paulo

17 Fevereiro 2016 | 13h30

SÃO PAULO - Quase metade dos médicos recém-formados do Estado de São Paulo reprovou no exame do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) no ano passado. Em 2015, dos 2.726 médicos que fizeram a prova, 48,1% não acertaram 60% das 120 questões da prova, porcentual mínimo exigido pelo conselho.

Entre os médicos formados em escolas privadas de Medicina, a reprovação é ainda maior: 58,8%. Enquanto nas escolas públicas paulistas, a média de reprovação foi de 26,4%. São Paulo tem 45 escolas de Medicina autorizadas, mas 15 delas, abertas há menos de seis anos, ainda não tinham turma formada no ano passado. 

Para Braulio Luna Filho, presidente do Cremesp, o baixo índice de aprovação dos alunos se deve ao “aumento indiscriminado” de escolas de Medicina no Estado nos últimos dez anos, sem que se houvesse uma avaliação externa para aferir a qualidade dos cursos e a formação desses profissionais. “Há um número exagerado de escolas médicas, não que nós não precisemos de mais profissionais. Mas precisamos de médicos qualificados”, disse. 

Foi a primeira vez que o exame aprovou pouco mais da metade dos médicos. Em 2014, os reprovados foram 55% do total e, em 2013, 59,2%. Para Luna Filho, a “ligeira melhora” no índice revela uma preocupação maior das escolas e alunos com o conteúdo. “A discussão [sobre a avaliação do Cremesp] pode ter promovido a melhoria dos métodos de ensino e avaliação nessas instituições”, disse. 

Obrigatoriedade.  O exame que era obrigatório nos últimos três anos, passou a ser facultativo em 2015 após uma decisão judicial liminar que impediu a exigência da prova para os médicos recém-formados. Ainda quando era obrigatório, a reprovação no exame não impedia que os médicos exercessem a profissão ou que obtivessem o registro profissional. "No Brasil, não existe uma lei que impeça que esse indivíduo, identificado como incompetente para a atividade (pelo exame do conselho) entre para a atividade médica. O conselho lamenta que essa seja a nossa legislação", disse Luna Filho.

No entanto, universidades e hospitais de São Paulo passarão a exigir, a partir deste ano, o resultado do exame do Cremesp como um dos critérios de seleção para vagas de emprego ou de residência médica. Entre as instituições que adotarão o critério estão as Faculdades de Medicina da USP, da Santa Casa e da Unifesp e os Hospitais Sírio-Libanês e Albert Einstein. “Se a nossa legislação e o judiciário não entendem a importância do exame, o mercado de trabalho tem feito sua prova e exigido a prova para conseguir selecionar os médicos mais qualificados”, disse Luna Filho.

Das 30 instituições que tiveram alunos que fizeram o exame, apenas 15 tiveram média de acerto na prova igual ou superior a 60%. Sendo que 9 delas são públicas e 6 são particulares. 

A única pública que não atingiu a nota mínima foi a Universidade de Taubaté (Unitau), instituição municipal, mas que cobra mensalidade de seus alunos - neste ano o valor é de R$ 4.774 por mês. Em nota, a Unitau informou que aguarda os dados do exame para analisar com mais profundidade seu desempenho e disse que “trabalha continuamente pela manutenção e melhoria da qualidade de seus cursos”. 

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