Mianmar registra aumento de 20 vezes nas apreensões de metanfetaminas

Instabilidade política ajudou a tornar o país fonte principal de pílulas na região, segundo a ONU

AP e Reuters

25 Novembro 2010 | 18h28

BANGCOC - A instabilidade política em Mianmar causada pelo governo militar ajudou a tornar o país fonte principal de pílulas de metanfetamina na região, de acordo com um relatório emitido pela Organização das Nações Unidas (ONU) nesta quinta-feira, 25, sobre o comércio de drogas ilícitas no mundo. De 2008 para 2009, o país registrou um aumento de 20 vezes nas apreensões de comprimidos (passando de 1,1 milhão para 23,9 milhões), o que reflete a ampliação da demanda por drogas no Sudeste Asiático e da produção em áreas fronteiriças turbulentas.

Estimulantes altamente viciantes têm substituído a heroína, o ópio e a maconha como a principal ameaça em vários países do Oriente e do Sudeste Asiático, disse o Escritório da ONU sobre Drogas e Crime. Mianmar já foi a principal fonte de ópio do mundo e de seu derivado, a heroína.

A produção de metanfetaminas continua "em níveis altos e alarmantes", afirmou em comunicado Gary Lewis, da Regional da ONU para o Leste Asiático e Pacífico. "Essa situação coloca um sério desafio para as agências de aplicação de leis, porque os produtos químicos essenciais usados na produção das pílulas são facilmente obtidos", completou Lewis.

Essas drogas podem ser feitas a partir da pseudoefedrina, um descongestionante encontrado em medicamentos contra resfriados vendidos sem receita médica.

Áreas de fronteira de Mianmar estão sob um frouxo controle, tornando a região ideal para produção e tráfico de drogas. Por muitos anos, o chamado Triângulo Dourado, que abrange Mianmar, Tailândia e Laos, foi a maior fonte mundial de heroína. Na última década, com a produção de ópio concentrada no Afeganistão, a região oriental tornou-se favorável à produção de metanfetaminas.

O número de comprimidos apreendidos em 2009 no Triângulo Dourado e na China triplicou para 93,3 milhões em relação ao ano anterior, revela Lewis na nota. Evidências sugerem que pode haver "uma fabricação significativa, mas ainda não detectada" de metanfetaminas em Mianmar, incluindo cerca de 12 unidades de larga escala.

O governo militar do país realizou neste mês a primeira eleição geral em duas décadas, como parte de seu autodenominado "caminho rumo à democracia". Mas os críticos acreditam que o processo tenha sido manipulado para perpetuar o regime. Ao mesmo tempo, o governo tem procurado apertar o controle sobre a fronteira, dominada por grupos étnicos minoritários e pelas drogas.

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