Mark Makela/Reuters
Mark Makela/Reuters

Micose que provoca morte de gatos cresce 400% em um ano no Rio

Doença transmitida pela arranhadura de animais afeta cães e humanos de forma menos severa; capital fluminense teve 13.536 casos em felinos no ano passado

O Estado de S.Paulo

13 Março 2017 | 15h24

SÃO PAULO - O número de gatos atingidos pela esporotricose cresceu 400% no Rio em 2016, de acordo com a Vigilância Sanitária. Além dos felinos, humanos e cães também podem desenvolver a doença, causada por fungos da varieda Sporothrix, sendo o Sporothrix brasiliensis o mais comum no Brasil. Ao todo, a cidade teve 13.536 casos notificados em gatos e 580 em humanos somente no ano passado.

Raramente grave em humanos, a esporotricose pode gerar lesões severas nos gatos, especialmente na cabeça, atacando progressimente a pele, os músculos, os ossos e até órgãos internos do animal, resultando em mortes. Ela se alastra principalmente por meio da arranhadura de animais infectados, o que é acentuado pelo tratamento ser caro e prolongado (de ao menos seis meses). Por isso, a maior parte dos casos se concentra em bairros de periferia e comunidades carentes.

Histórico. Até ser identificado o aumento no Rio, o número de casos desse tipo de micose eram considerados esporádicos no País. O motivo para a infestação ainda não foi identificado, embora o fungo seja normalmente encontrado no solo. De 2013 a 2015, somente o Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas da Fundação Oswaldo Cruz (INI/Fiocruz), na capital fluminense, atendeu 5 mil casos em pessoas e 4.703 em gatos, sendo 3.253 em 2015. 

Do Rio de Janeiro, a doença teria se espalhado por outras cidades e Estados. Na Região Metropolitana de São Paulo, 1.093 casos foram identicados nos últimos anos pela Unifest e o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ). "A doença tradicionalmente acometia uma a duas pessoas ao ano. Mas em 1998 o total de casos no Rio de Janeiro começou a crescer", disse o professor Zoilo Pires de Camargo, chefe do Laboratório de Micologia Médica e Molecular da Unifesp.

De acordo com o pesquisador, a epidemia carioca é única por envolver a transmissão a humanos em número expressivo. "Nos anais da medicina, o maior surto de esporotricose teria ocorrido nos anos 1940 entre mineiros na África do Sul. A origem da infecção nos 3 mil casos relatados estava no madeiramento de sustentação das galerias das minas, onde havia colônias de Sporothrix. Uma vez identificados os focos, a madeira foi tratada e a epidemia acabou", disse Camargo./Agência Fapesp

 

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