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Luis Robayo/AFP

Ministro admite ligação com zika em 40% dos casos de microcefalia

Porcentual considera análise de exames avaliados até o momento - houve 508 confirmações, o equivalente a 37,7% do total

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Lígia Formenti,
O Estado de S. Paulo

19 Fevereiro 2016 | 03h00

BRASÍLIA - O ministro da Saúde, Marcelo Castro, disse acreditar que 40% das notificações de microcefalia no País estejam relacionadas ao zika. O restante estaria associado a outras causas – como doenças genéticas ou infecções por citomegalovírus, herpes ou toxoplasmose. Por esse raciocínio, dos 5.280 registros em análise, 2.112 seriam efetivamente ligados à transmissão do zika durante a gestação. 

A avaliação foi feita um dia depois da polêmica em torno da mudança no formato do informe epidemiológico, que não traz mais números de exames que já comprovaram laboratorialmente infecção por zika. No boletim anterior, com dados até o dia 6, o Ministério da Saúde havia relatado 41 casos de bebês cujos testes confirmaram a presença do vírus.

O número era considerado baixo pelo governo e, conforme a reportagem do Estado apurou, por uma determinação do ministro passou a ser omitido. A mudança provocou mal-estar dentro da pasta. Parte dos técnicos, que defendia a divulgação dos números, considerou a omissão como uma estratégia para inflar os números e reforçar os argumentos para aprovação no Congresso da CPMF para financiar a Saúde.

Castro reafirmou nesta quinta-feira, 18, estar convicto de que o número de casos de microcefalia relacionados ao zika é superior ao que foi apontado nos exames laboratoriais até agora. E que houve infecção por zika na “maior parte” das mães que tiveram bebês com microcefalia. Minutos depois, no entanto, admitiu que a estimativa usada pelo ministério não chega nem mesmo à metade dos casos. A pasta teria chegado ao porcentual de 40% fazendo uma análise dos exames avaliados até o momento – houve 508 confirmações, o equivalente a 37,7% do total.

Desde esta quinta, a notificação de casos suspeitos por zika é obrigatória no País. Com a medida, profissionais de saúde devem comunicar autoridades sanitárias semanalmente se atenderam pacientes com suspeitas da doença. No caso de gestantes, a comunicação deve ser imediata. “Agora temos testes que nos permitem dar com segurança o diagnóstico do vírus.”

As declarações foram dadas durante a Reunião Bilateral Brasil-EUA, Fortalecimento da Cooperação para a Resposta à Epidemia do Vírus Zika. No encontro, que termina hoje, representantes dos dois países discutem estratégias para desenvolver pesquisas que ajudem no diagnóstico e prevenção da doença e no combate ao Aedes aegypti. “O mais importante é a vacina”, disse Castro. Ao fim do encontro, será divulgado um cronograma sobre as medidas que podem ser adotadas.

Dengue. O ministro afirmou ainda que os testes clínicos da vacina contra dengue Brasil-EUA começam na próxima semana. O estudo deverá ser feito com 17 mil voluntários.

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