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Morador teme 'Aedes' em Memorial de Congonhas

- Atualizado: 02 Março 2016 | 07h 46

Vizinhos e visitantes de praça se preocupam com criadouros do mosquito; Prefeitura de São Paulo afirma estar alerta sobre o local

Monumento. Subprefeitura afirma que limpeza está programada para esta semana

Monumento. Subprefeitura afirma que limpeza está programada para esta semana

SÃO PAULO - Para um mosquito se reproduzir não importa se a água acumulada está em vaso de flor ou em monumento importante. Em tempos chuvosos, todo cuidado é pouco com o Aedes aegypti. “Passei para conhecer o Memorial. Vi que estava coberto de água da chuva, sem escoadouro”, conta o militar aposentado Custódio da Maia Valverdes, de 79 anos. O local em questão é o Memorial 17 de Julho, inaugurado em 2012 - cinco anos após o acidente com o voo 3054 da TAM, que deixou 199 mortos.

“Notei o que suponho serem larvas se mexendo na lâmina d’água”, acrescenta Valverdes. Preocupado com a situação, ele procurou o Estado. “O memorial construído à cabeceira do Aeroporto de Congonhas, na zona sul paulistana, para reverenciar as vítimas da tragédia, tornou-se um santuário para mosquitos”, diz. “Com o formato de uma grande bacia, ele acumula água da chuva, que se converte em criadouro para larvas de todo tipo de inseto.”

A reportagem visitou o local na tarde desta terça-feira, 1º. Moradores da região estavam preocupados. “Hoje mesmo estava comentando como isso aqui parece um prato cheio para os mosquitos”, afirma a agente de organização escolar Dalva Muniz, de 42 anos. “A Prefeitura tinha de vigiar locais como este, em que há espelhos d’água, 24 horas”, acredita o supervisor de vendas Carlos Barbosa, de 55 anos. “Moramos aqui perto e nunca vimos ninguém cuidando dessa água. É preocupante”, afirma a professora Sophie Johnson, de 27 anos. “É um paraíso para o mosquito”, completa o piloto Frederico Marinho, de 36 anos. 

A Secretaria Municipal da Saúde confirma a preocupação: o Memorial 17 de Julho está cadastrado como ponto estratégico e recebe, de acordo com a pasta, vistorias quinzenais. As últimas teriam sido nos dias 7 e 28 de janeiro e 3 e 15 de fevereiro. Uma nova visita está programada para hoje. “Em nenhuma vistoria foram encontradas larvas e, até o momento, não há casos de dengue nas proximidades”, ressalta a secretaria, em nota. 

Com relação à limpeza, a Subprefeitura de Santo Amaro informa que os serviços no espelho d’água são feitos uma vez por mês e a próxima limpeza está programada para esta semana. “Não adianta ficar brigando com vasinhos de plantas das velhinhas e deixar a céu aberto uma lâmina de água daquele tamanho”, acredita Valverdes, sobre o Memorial 17 de Julho.

Queixa. Para especialistas em patrimônio histórico, monumentos têm de ser melhor tratados na guerra contra o Aedes. “Todo bem de importância histórica, principalmente os tombados, precisa ter manutenção adequada pelo proprietário, seja ele particular, seja ele um órgão público. Em tempos como os atuais, uma atenção especial dessa manutenção tem de ser direcionada a eliminar possíveis focos de mosquito”, diz o advogado Adriano Rodrigues de Souza Silva, diretor-geral da Associação Amigos do Patrimônio e Arquivo Histórico. “Imagine um monumento que tem uma cuia, onde acaba sendo retida água da chuva. A manutenção precisa ser reforçada, com funcionários destacados para retirar essa água mais vezes por semana.”

Sob esse ponto de vista, muitos monumentos espalhados pela cidade precisariam de um cuidado especial. Como os pequenos vãos existentes no Monumento às Bandeiras, a obra emblemática do escultor ítalo-brasileiro Victor Brecheret (1894-1955) que se tornou cartão-postal de São Paulo. Construída com 240 blocos de granito de 50 toneladas, a escultura contém representações de 29 figuras humanas, entre bandeirantes, índios, mamelucos e negros. E é só um exemplo - a capital paulista tem cerca de 440 monumentos. No caso do Monumento às Bandeiras, a Subprefeitura da Vila Mariana afirma que faz limpezas quinzenais - e a próxima está programada para esta semana.

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