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Morre bebê de família que buscou tratamento com canabidiol

O Estado de S. Paulo

02 Junho 2014 | 20h 45

Gustavo Guedes, de 1 ano e 4 meses, tinha convulsões; família conseguiu autorização para usar derivado da maconha em abril

BRASÍLIA - O primeiro paciente a receber autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para usar o canabidiol - substância derivada da maconha - morreu neste domingo, em Brasília. O menino Gustavo Guedes, de 1 ano e 4 meses, era portador da síndrome de Dravet, que provoca convulsões. 

A mãe do menino, Camila Guedes, integrava um grupo de pais de pacientes que lutam para que o canabidiol seja transferido da lista de substâncias proscritas para um rol de medicamentos de uso controlado. Na quinta-feira, a Anvisa discutiu o assunto, mas adiou uma decisão para agosto. Camila acompanhou a reunião.

A discussão na agência teve início depois do movimento de pais de crianças com epilepsia refratária para liberação do produto. Integrantes do movimento, que conta também com médicos, afirmam que pacientes submetidos ao tratamento apresentam uma significativa redução do número de convulsões. Os efeitos, dizem, começam a ser notados depois de 45 dias de uso.

Pais avaliam ainda que, com a liberação, haveria maior facilidade de médicos receitarem o produto e de crianças terem acesso ao tratamento. Em entrevista concedida ao Estado na quinta, Camila afirmou que a maior dificuldade encontrada por ela foi achar um profissional disposto a pedir o medicamento. Gustavo havia iniciado o tratamento há cerca de 10 dias. Por mais de 40 dias, a mãe do menino, Camila Guedes, aguardou a liberação para o uso da substância, que já vem sendo usada por pelo menos 20 pacientes brasileiros.

A Anvisa determinou a abertura de uma investigação especial para apurar o caso, uma vez que o produto foi importado por meio de uma autorização especial. De acordo com a agência, a espera de familiares de Gustavo para obtenção do produto não foi provocada pela Anvisa. O pedido foi feito dia 9 de abril e a decisão concedida dia 17 do mesmo mês. Ainda de acordo com a Anvisa, a morte da criança não vai modificar a forma como a agência está lidando com o tema. As análises para liberação excepcional vão continuar. 

Enquanto a decisão da Anvisa sobre o destino do canabidiol não é tomada, a avaliação sobre a importação do produto é feita caso a caso. Até o momento, a Anvisa liberou 3 de 9 pedidos para importação da substância, que nos Estados Unidos é vendida como suplemento alimentar. 

Os demais pacientes obtiveram o produto por meio de decisão judicial ou simplesmente trouxeram o produto em viagens ou encomendaram pela internet.

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