Mortalidade por câncer cresce mais no interior

Estudo inédito, feito pela Federal de Goiás, mostra que em 30 anos o avanço nos óbitos do tumor de mama foi até 18 vezes maior fora das capitais

Fabiana Cambricoli, O Estado de S. Paulo

07 Março 2014 | 23h59

SÃO PAULO - Em 30 anos, a taxa de mortalidade por câncer de mama no Brasil teve um aumento até 18 vezes maior no interior do que nas capitais, mostra estudo inédito realizado pela Universidade Federal de Goiás e que será publicado na edição de abril do periódico científico internacional The Breast.

Os pesquisadores analisaram, por Estado e região, o número de óbitos pela doença entre 1980 e 2010 e verificaram que, enquanto boa parte das capitais teve redução ou um pequeno aumento da taxa no período, as demais cidades do Estado tiveram crescimento significativo nos seus índices.

Entre os 24 Estados que forneceram os dados, apenas metade teve alta da taxa de mortalidade nas capitais. Já nas demais regiões do Estado, o aumento foi registrado em 22 unidades da federação.

Enquanto entre as capitais o maior aumento foi de 107%, em Cuiabá (MT), no interior, o valor mais alto chegou a 1950%, no Estado do Maranhão.

"Quando fizemos a comparação dos dados das capitais com o restante do Estado, vimos que é muito díspar a atenção dada às capitais em relação ao interior. Isso indica falta de uma rede adequada de detecção e tratamento fora das grandes cidades", diz Ruffo de Freitas Júnior, presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia e um dos coordenadores do estudo.

Ele afirma que é importante ampliar o acesso à mamografia no País, mas diz que só isso não é suficiente para diminuir o número de mortes pela doença. "É preciso qualidade no serviço de saúde e mais rapidez no início do tratamento. O SUS (Sistema Único de Saúde) recomenda que ele seja iniciado em 60 dias, mas há casos em que o prazo passa de 6 meses", diz.

Para a cirurgiã oncológica Maria do Socorro Maciel, responsável pelo núcleo de mastologia do A.C. Camargo Cancer Center, o estudo indica também maior necessidade de prevenção no interior do País. "É preciso investigar quais fatores estão envolvidos com esse crescimento mais expressivo no interior, mas podemos dizer que o papel da educação e prevenção é importante", afirma ela. "A mulher precisa ser alertada de que deve fazer o exame regularmente pelo menos a partir dos 50 anos, e essa educação pode ser iniciada na escola", diz.

Prioridade. O Ministério da Saúde informou que prioriza a detecção precoce e o tratamento do câncer e afirmou que a rede pública vem aumentando o número de mamografias realizadas.

Segundo a pasta, entre 2010 e 2012, houve um aumento de 25% na quantidade de exames feitos em todo o País. O órgão disse ainda ter aumentado em 18% o valor investido em oncologia no período.

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