Paulo Whitaker/Reuters
Paulo Whitaker/Reuters

Mosquito transgênico contra dengue será levado para Juiz de Fora

Programa custará R$ 60 mil mensais, mas serão usados recursos repassados pelo Ministério da Saúde para ações contra a doença

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

11 Julho 2017 | 11h39
Atualizado 11 Julho 2017 | 16h43

SOROCABA – O programa de controle do Aedes aegypti com o uso de mosquitos geneticamente modificados, desenvolvido em Piracicaba, interior de São Paulo, será levado para Juiz de Fora, em Minas Gerais.

A prefeitura da cidade mineira assinou nesta terça-feira, 11, contrato com a empresa Oxitec, detentora do método, para iniciar o projeto em três bairros urbanos.

Juiz de Fora enfrentou grave epidemia de dengue em 2016, com mais de 18 mil casos confirmados e 48 mortes, segundo a Secretaria Estadual de Saúde. A doença é passada pelo Aedes selvagem, que transmite também zika, chikungunya e pode transmitir febre amarela. O Aedes transgênico impede a reprodução do parente selvagem e reduz a população do transmissor.

O programa vai custar R$ 60 mil mensais, que serão custeados com recursos do próprio município.  

“Vamos começar pelos bairros Monte Castelo, Santa Luzia e Olavo Costa, onde tivemos uma incidência maior de casos no ano passado. Nesses locais vivem cerca de 10 mil pessoas, mas o plano é estender a outras regiões que também foram críticas, abrangendo cerca de 50 mil moradores”, disse.

A cidade tem 559 mil habitantes e, segundo o prefeito, a expectativa é de que o programa reduza o risco de nova epidemia. “Sabemos que ainda existem muitos focos de larvas na cidade.”

Os mosquitos transgênicos, produzidos na fábrica da Oxitec em Piracicaba, serão levados ainda na fase de pupas para um posto avançado que a empresa vai instalar na cidade mineira. Assim que se tornarem adultos, os machos serão soltos nas casas da área tratada.

O início da soltura deve acontecer em três meses. Nesse período, agentes de saúde da prefeitura e técnicos da empresa visitarão os moradores para explicar o projeto. O macho transgênico, registrado com o nome de Aedes do Bem, procura a fêmea selvagem para a reprodução e transmite à descendência um gene autolimitante que leva os filhotes à morte prematura. Um marcador fluorescente permite que eles sejam identificados em laboratório, possibilitando o monitoramento do programa.

Em Piracicaba, o programa teve início em 2015 e, a partir de 2016, reduziu em mais de 80% a população do Aedes no bairro Cecap/Eldorado, o primeiro a ser tratado. A redução aconteceu também no bairro São Judas e na região central da cidade, onde os mosquitos transgênicos passaram a serem soltos no ano passado.

A Oxitec informou ter recebido a liberação comercial da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) para fazer projetos com o Aedes transgênico em todo o país.

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