MP entra na Justiça contra equipe de mutirão que cegou 22 no ABC

Médico e duas enfermeiras foram denunciados por lesão grave e gravíssima; sindicância apontou que instrumentos não foram esterilizados

PAULA FELIX, O ESTADO DE S. PAULO

08 Julho 2016 | 22h29

SÃO PAULO - O Ministério Público do Estado entrou na Justiça nesta sexta-feira, 8, contra o médico e duas enfermeiras que participaram do mutirão de cirurgias de catarata realizado em janeiro deste ano em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, que causou lesão nos olhos de 22 pessoas. Algumas perderam a visão e outras, o globo ocular. Uma pessoa morreu. Uma sindicância divulgada em março apontou que os instrumentos utilizados no procedimento não foram esterilizados antes nem entre um paciente e outro.

"Eles foram denunciados por lesão grave e gravíssima com dolo eventual, porque tinham ciência de que precisavam fazer a higienização e assumiram o risco de produzir esse resultado", explica a promotora de Justiça Simone De Divitiis Perez.

Segundo Simone, a pena por lesão grave é de um a cinco anos em regime aberto ou semi-aberto. Para lesão gravíssima, varia de dois a oito anos. "Se ultrapassar oito anos, tendo em vista o número de vítimas, pode ser regime fechado."

O mutirão foi realizado no dia 30 de janeiro no Hospital de Clínicas do Alvarenga e o responsável pelo procedimento foi o Instituto de Oftalmologia da Baixada Santista. Advogado do instituto, José Luiz Macedo informou que não teve acesso à denúncia e que, por isso, não seria possível comentar o assunto.

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