MSF denuncia que 9 milhões de pacientes com aids podem ficar sem tratamento

Entidades internacionais decidiram congelar, reduzir ou retirar contribuições a programas contra o HIV

Efe

15 Julho 2010 | 12h38

MADRI - Mais de 9 milhões de pessoas - dois terços só na África Subsaariana - que têm aids e precisam de cuidados urgentes ficarão sem tratamento por causa da retirada do financiamento internacional destinado à luta contra a doença.

A denúncia é da organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) e consta no relatório sobre a crise no financiamento da luta contra a aids na África, que foi apresentado na última quarta, às vésperas da conferência internacional da aids, realizada em Viena de 18 a 23 de julho.

O relatório é baseado em análises feitas em Moçambique, Malauí, Zimbábue, África do Sul, Lesoto, Quênia, Uganda e República Democrática do Congo para ilustrar em que medida as principais instituições congelaram ou reduziram suas contribuições financeiras no último ano e meio.

O Plano Presidencial de Emergência de Resposta a Aids (Pepfar) dos Estados Unidos, o Banco Mundial, o Fundo Internacional para a Compra de Remédios (Unitad), criado pelas Nações Unidas, e parte dos doadores do Fundo Mundial para a Luta contra a Aids decidiram congelar, reduzir ou retirar suas contribuições aos programas de tratamento do vírus de imunodeficiência humana (HIV), causadora da doença.

O estudo confirma que a redução do financiamento está caindo e a incorporação de novos pacientes aos programas de tratamento representará uma condenação de morte para milhões de vítimas.

Ana Zarategui, coordenadora médica da MSF, destacou que 75% dos dois terços de soropositivos que vivem na África Subsaariana dependem de financiamento externo.

No final de 2008, 4,5 milhões de doentes recebiam tratamento com antirretrovirais e, destes, metade eram pacientes emergenciais.

A taxa de prevalência do HIV superou 20% em alguns países africanos e, em 2008, praticamente três de cada quatro mortes por aids no mundo ocorreram no sul da África.

Isso se produz, além disso, em um momento em que a Organização Mundial da Saúde (OMS) acaba de aprovar uma mudança nos protocolos de tratamento para que ele se inicie de forma mais precoce.

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