Mulheres acima de 50 anos são mais propensas ao estresse pós-traumático que os homens

Pesquisadores dinamarqueses analisaram dados de 6.548 participantes de estudos sobre a doença

Efe

22 Julho 2010 | 10h14

WASHINGTON - As mulheres se tornam mais vulneráveis ao transtorno do estresse pós-traumático (TEPT) entre 51 e 55 anos de idade, ao contrário dos homens, que correm um risco maior entre 41 e 45 anos, segundo um artigo publicado pela revista Annals of Geral Psychiatry.

Ask Elklit e Daniel Ditlevsen, da Universidade do Sul da Dinamarca e da Universidade Odense, do mesmo país, analisaram os dados de 6.548 participantes de estudos nórdicos anteriores sobre a doença. O TEPT é um transtorno psicológico decorrente da exposição a um acontecimento traumático que envolve dano físico ou emocional.

Elklit e seu colaborador tentaram determinar os riscos do TEPT em relação aos diferentes períodos da vida. "Homens e mulheres mostram diferenças na distribuição por idade da prevalência do TEPT", indica o artigo. "A duração média da vida humana foi aumentando no Ocidente durante mais de 200 anos e agora supera em muito os 54 anos".

"Portanto, é razoável que se inclua uma gama de idades mais amplas quando se calcula a distribuição do TEPT entre homens e mulheres", acrescentou.

Na União Europeia, os homens têm agora uma expectativa de vida de aproximadamente 76 anos e as mulheres, de quase 82. "As pessoas vivem vários anos a mais que as gerações anteriores e, como resultado, os indivíduos têm mais tempo para ser afetados pelas consequências negativas que seguem às experiências traumáticas", explicou Elklit.

Os homens e as mulheres também mostram diferenças nos aspectos biológicos do desenvolvimento cerebral e, "por isso, as diferenças no desenvolvimento da conduta ao longo da vida podem influenciar na maneira em que respondem às exposições aos traumas".

Segundo os pesquisadores, foi determinado que o gênero é um fator biológico na vulnerabilidade ao estresse psicossocial. Essa reação emocional grave a um trauma psicológico extremo pode ser apresentada, inclusive, muito tempo depois do acontecimento traumático.

O artigo faz referência a outros estudos, segundo os quais, embora as mulheres estejam menos expostas a eventos potencialmente traumáticos, desenvolvem o TEPT mais que os homens.

Outras pesquisas descobriram que a prevalência do TEPT nas mulheres é duas vezes maior que nos homens.

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