Museu londrino devolverá restos de ancestrais australianos

Entre o material está uma múmia doada ao museu em 1884

AP,

10 Março 2011 | 15h24

SÃO PAULO - O Museu de História Natural de Londres concordou em devolver os restos humanos coletados no século 19 para as ilhas de Torres Strait, na Austrália.

 

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O anúncio desta quinta, 10, se deu após um ano e meio de negociações envolvendo o museu, a população das ilhas e o governo australiano.

"Esta decisão foi recebida com bastante emoção e considerada um avanço pelo reconhecimento da importância em deixar que os espíritos dos ancestrais da população das ilhas descansem em paz", disse Ned David, representante do povo de Torres Strait.

O museu informou que 138 peças - na maioria esqueletos e mandíbulas, mas também uma múmia - seriam devolvidas. O museu também ofereceu uma verba para que uma pessoa da ilha pudesse trabalhar com profissionais de Londres para desenvolver habilidades úteis para o manuseio do material.

As 274 ilhas de Torres Strait estão espalhadas por 48 km2 entre a costa norte da Austrália e Papua Nova Guiné. Cerca de 6 mil pessoas vivem na ilha e 40 mil emigraram para a Austrália.

A maioria dos restos mortais veio de uma caverna na ilha de Pulu, uma área sagrada para a população de Mabiuag. Um missionário instigou a remoção dos restos mortais da caverna e os ossos foram comprados por um mercador em 1884, de acordo com informações do museu.

Outros restos que não eram desta mesma caverna foram negociados pela população das ilhas, oficiais e naturalistas de navios de pesquisas navais e trocados por facas, machados, tabaco e roupas, informou o museu.

A múmia, uma das cinco de que se tem conhecimento, foi dada ao magistrado John Douglas durante o período em que morou nas ilhas. Douglas, em retribuição, doou a múmia para o Museu de História Natural em 1884.

"Estamos satisfeitos que por meio do diálogo e respeito mútuo nossa equipe tenha sido capaz de trabalhar de perto com a comunidade das ilhas, demonstrando uma nova forma de atender a pedidos de repatriação", disse Richard Lane, Diretor de Ciência do museu.

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