VLADEMIR ALEXANDRE / ESTADÃO
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‘Não imaginava passar isso por causa de um mosquito', diz paciente

Com Guillain-Barré, auxiliar faz fisioterapia 4 vezes por semana, anda com dificuldade e não tem todos os movimentos das mãos

Clarissa Thomé, ENVIADA ESPECIAL

23 Fevereiro 2016 | 03h00

NATAL - O aumento do número de pessoas com Guillain-Barré terá impacto nos serviços de reabilitação. Os pacientes costumam precisar de longos tratamentos para se livrar das sequelas. É o caso da auxiliar de serviços gerais Maria das Graças da Silva, de 58 anos, que faz fisioterapia quatro vezes por semana e terapia ocupacional. Ainda anda com dificuldade e não tem todos os movimentos das mãos. Faz dez meses que adoeceu.

Os sintomas de Maria das Graças começaram nas mãos e na fala - rouquidão até perder completamente a voz. Voltou diariamente ao hospital, até perder totalmente os movimentos no quinto dia de sintomas. Só então foi atendida por um neurologista, que diagnosticou a síndrome. Foram 20 dias na UTI, com dores fortíssimas. “Tomei até morfina”, conta.

Quando começou a melhorar, teve trombose na perna esquerda. “Nunca poderia imaginar que passaria tudo isso por causa de um mosquito.”

Já quem vê o vigilante João Maria da Silva Fonseca, de 35 anos, chegar de motocicleta ao Hospital Universitário Onofre Lopes, em Natal, não imagina que esteve completamente paralisado há poucos meses. Fonseca corria numa praça perto de casa, em João Câmara, cidade a 72 km da capital, quando sentiu uma fisgada no tornozelo. No dia seguinte, a dor passou para a panturrilha. No terceiro, andava se escorando nas paredes. Caiu durante o banho e não se levantou mais. Passou 20 dias na UTI. “Um dia, tentei levantar o braço para espreguiçar e ele caiu para trás. O rosto paralisou todo.”

Entrou em depressão. Os amigos que iam visitá-lo tinham crises de choro. “Ninguém na minha cidade acreditava que eu voltaria a andar. Hoje eu corro na pracinha e as pessoas vêm falar comigo”, relatou.

Silva e a mulher, a manicure Tatiane Chris Pereira Fonseca, de 23 anos, tiveram zika. Depois que o vigilante recebeu alta, descobriram que o foco de Aedes estava na casa vizinha: uma carcaça de geladeira abandonada. “Espero que o que aconteceu comigo sirva de exemplo para as pessoas tomarem cuidado. Agora, eu vivo me batendo quando tem mosquito perto.” 

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