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No Brasil, 64% das mortes de crianças com menos de 5 anos acontecem no 1º mês

Lígia Formenti - ENVIADA ESPECIAL

30 Junho 2014 | 06h 00

É o maior porcentual registrado, na comparação feita entre os 75 países analisados pelo estudo Parceria para a Saúde Materna, de Recém-Nascidos e Crianças

JOHANNESBURGO (ÁFRICA DO SUL)  - Cerca de 64% das mortes de crianças brasileiras abaixo de cinco anos ocorrem ainda no primeiro mês de vida, aponta o relatório lançado nesta segunda-feira, 30, durante o Fórum da Parceria para a Saúde Materna, de Recém-Nascidos e Crianças (PMNCH), em Johannesburgo. É o maior porcentual registrado, na comparação feita entre os 75 países analisados pelo estudo.

"Países que rapidamente reduziram a mortalidade infantil, como o Brasil, tendem a apresentar um aumento na proporção de mortes entre recém-nascidos", afirmam os autores do trabalho. No mundo, todos os anos, cerca de 2,9 milhões de crianças morrem antes de completar um mês e 2,6 milhões morrem ainda nos primeiros três meses de gestação ou durante o parto. Diante dessa tendência, organismos internacionais iniciam uma nova frente de batalha para tentar reduzir as mortes nessa fase da vida que, asseguram, em sua maioria também são evitáveis.

Metas. O programa, batizado de Plano de Ação para Todo recém-nascido (Enap, na sigla em inglês), tem duas metas primordiais, que devem ser atendidas até 2035: reduzir os índices de mortalidade neonatal para no máximo 10 por cada mil nascidos vivos e reduzir o número de mortes ao nascer para até 10 casos a cada 10 mil partos.

Para que as medidas sejam colocadas em prática, um plano de 40 financiamentos deverá ser anunciado ao longo dos dois dias do Fórum do PMNCH. A estimativa é a de que um acréscimo no orçamento equivalente a US$ 1,15 por habitante dos 75 países considerados prioritários, poderia prevenir 3 milhões de mortes de crianças e bebês.

Investimentos, garantem responsáveis pelo Enap, devem ser feitos sobretudo para capacitar trabalhadores na área de saúde, especialmente parteiras e para compra de produtos e equipamentos com máscaras e ressuscitadores, que custam menos de US$ 5 mas podem fazer toda diferença no momento da assistência ao bebê.

A JORNALISTA VIAJOU A CONVITE DO FÓRUM DA PARCERIA PARA A SAÚDE MATERNA, DE RECÉM-NASCIDOS E CRIANÇAS (PMNCH)