Nature / Divulgação
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Imunoterapia apresenta avanços no combate à leucemia

Terapia de modificação genética mostrou bons resultados em pacientes que falharam em outros tratamentos

Fabiana Cambricoli*, O Estado de S.Paulo

21 Novembro 2017 | 12h18
Atualizado 21 Novembro 2017 | 22h15

Uma nova terapia de modificação genética foi capaz de combater a leucemia em pacientes que já haviam tentado sem sucesso outros tratamentos, indica estudo publicado no domingo, 19, na revista Nature Medicine.

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A pesquisa, conduzida pelo Instituto Nacional do Câncer, dos Estados Unidos, é o mais recente avanço da imunoterapia, campo em que o sistema imunológico do paciente é acionado para atacar o câncer.

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A descoberta tem por base dois tratamentos similares aprovados neste ano naquele país: o Kymriah, da Novartis, para leucemia, e o Yescarta, da Kite Pharma, para linfomas. No caso do Kymriah e o Yescarta, são removidas milhões de células T do paciente - células brancas do sangue que combatem doenças. Após a remoção, essas células são modificadas geneticamente para buscar e destruir células cancerígenas. As células T são, então, reinjetadas no paciente para atacar moléculas de proteína chamadas CD19 encontradas nas células malignas em muitos tipos de câncer e linfoma.

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A ideia de uma única poção mágica é primitiva. O conceito de terapia para o câncer é combinar múltiplos tipos de terapias.
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Crystal L. Mackall, autora do estudo

O novo tratamento é diferente sob muitos aspectos: as células T são programadas para atacar um outro alvo da célula maligna: o CD22. A nova técnica, ainda em fase experimental, poderá ser adotada sozinha ou usada com uma combinação de tratamentos - de modo similar a coquetéis antivirais para a aids ou o uso de múltiplas drogas de quimioterapia para o câncer -, aumentando as probabilidade de acabar com a doença.

 

Remissão

Em alguns casos estudados, esses dois tratamentos levaram a remissões longas e aparentemente milagrosas no caso de pessoas que estavam condenadas à morte. Participaram do estudo 21 crianças e adultos com idades entre 7 e 30 anos, com leucemia linfoblástica aguda, que já não tinham mais opções de tratamento. Muitos já haviam sido tratados com células T direcionadas para o CD19 e tiveram recidivas. Todos também já haviam se submetido a um implante de medula óssea, tratamento árduo com severos efeitos colaterais.

Membro do Conselho Científico da Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (Abrale), Nelson Hamerschlak explica que a nova terapia pode ter mais chances de sucesso porque ataca de forma mais específica um dos alvos da doença - a proteína CD22. “Os tratamentos iniciais para qualquer caso de leucemia são a quimioterapia, seguida do transplante. Eles continuam sendo os tratamentos de primeira linha, mas são mais genéricos e nem todos os pacientes apresentam boa resposta a eles”, diz. / *COM THE NEW YORK TIMES

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