Cellou Binani/AFP
Cellou Binani/AFP

Novos casos de Ebola caem para menor nível em 7 meses

Essa foi a primeira vez desde junho que casos não superam a marca de cem por semana; vírus, porém, já deixou 16 mil crianças orfãs

Jamil Chade, O Estado de S. Paulo

29 Janeiro 2015 | 12h21

GENEBRA - Os números dos novos casos de Ebola registram a menor taxa desde junho de 2014, em uma queda que aponta para o fato de que os milhões de dólares gastos pela comunidade internacional começam a dar resultados. O impacto social da epidemia, porém, promete permanecer por anos. 

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), Guinea, Liberia e Serra Leone somaram em uma semana 99 novos casos da doença. Essa foi a primeira vez desde junho que os casos não superam a marca de cem por semana. Agora, a entidade aponta que a estratégia mudou e deixou de ser a de reduzir a expansão do Ebola. "Nosso foco passou de desacelerar a transmissão para acabar com a epidemia", indicou um informe da OMS publicado em Genebra. 

"Para atingir essa meta, os esforços passaram do setor da construção de infra-estrutura para o de identificar casos, administrá-los, garantir enterros seguros e mudar o comportamento das comunidades", indicou. Para a OMS, não há nada ainda a ser comemorado. A entidade alerta que, em certas regiões, a epidemia voltou a ganhar força. Na Guinea, os novos casos passaram de 20 na semana passada para 30 nesta semana. Até agora, mais de 22 mil pessoas foram infectadas pelo vírus, com 8,8 mil mortes. 

Impacto. Segundo as agências, isso não significa nem que a doença acabou e nem que seu impacto social tenha sido superado. Pelo menos 16 mil crianças perderam seus pais por conta do vírus do Ebola na África. Os dados foram apresentados pela Unicef.

Cerca de 10 mil crianças perderam seu pai, sua mãe ou ambos para a doença. Outros seis mil viram a morte das pessoas que os cuidava, como avós ou tios. "Nosso trabalho tem sido o de tentar encontrar alguém da família dessas crianças para que passem a cuidar delas", indicou Peter Salama, coordenador da Unicef para o Ebola. Por enquanto, apenas 5 mil crianças foram colocadas em novas residências. A entidade também busca famílias que estejam dispostas a adotar essas crianças, em troca de ajuda financeira e alimentos. 

Outro desafio tem sido o aumento de cerca de 30% nos casos de sarampo e malária na região afetada pelo Ebola. Governos foram obrigados a suspender programas de vacinação e mesmo de tratamentos nos hospitais. 

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