FABIO MOTTA/ESTADÃO
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Número de casos de dengue cresce 163% na capital paulista

Do início de janeiro até 24 de fevereiro, foram registrados 563 casos da doença; aumento se refere ao mesmo período do ano passado 

Fabiana Cambricoli e José Maria Tomazela, O Estado de S. Paulo

26 Fevereiro 2015 | 16h32

Atualizada às 20h25

SÃO PAULO - O número de casos de dengue registrados na capital paulista nas seis primeiras semanas epidemiológicas de 2015 cresceu 163% em relação ao mesmo período do ano passado, mostra balanço divulgado nesta quinta-feira, 26, pela Secretaria Municipal da Saúde. Do início de janeiro até 24 de fevereiro, a cidade somou 563 casos da doença, ante 214 no ano passado. A zona norte é a área mais afetada pelo problema.

A tendência de alta de dengue em relação a 2014 vem sendo observada desde os primeiros balanços divulgados pela Prefeitura neste ano. A administração já admite que 2015 será um ano crítico da doença na cidade, com previsão de cerca de 90 mil casos até dezembro - no ano passado, quando a capital já teve recorde de pacientes infectados, foram 29 mil registros.

O secretário adjunto da Saúde, Paulo Puccini, afirma que as altas temperaturas registradas neste verão e o armazenamento de água sem proteção por causa da crise hídrica são os principais fatores para o aumento de pacientes infectados. “Além disso, os bairros com maior incidência neste ano ficam próximos de rodovias, o que também colabora para a alta da doença”, disse ele, referindo-se a distritos da zona norte vizinhos das Rodovias Fernão Dias, Anhanguera e Bandeirantes, que ligam cidades do interior com alta incidência da doença à capital. De acordo com a Prefeitura, caminhões que seguem de diversas localidades rumo a São Paulo podem ser criadouros do mosquito Aedes aegypti.

Os dados da secretaria mostram que quase metade dos casos confirmados até agora está em apenas cinco bairros da zona norte. Juntos, Limão, Jaraguá, Brasilândia, Casa Verde e Pirituba somam 264 casos.

A Prefeitura investiga a morte de uma idosa moradora da Brasilândia que pode ter sofrido de dengue. Caso os exames confirmem a hipótese, será o primeiro caso de morte por complicações da doença neste ano. Em 2014, pelo menos 14 pessoas morreram na capital vítimas da dengue. 

A Secretaria da Saúde disse estar intensificando as ações de prevenção da doença e combate ao mosquito nos bairros com maior incidência. Pede ainda que a população não acumule água limpa destampada.

Interior. Também sobe a cada dia o número de mortes com suspeita de dengue no interior do Estado de São Paulo. Até ontem, pelo menos 46 pessoas haviam morrido com sintomas da doença somente neste ano. Como a confirmação dos casos depende de laudo do Instituto Adolfo Lutz, 15 tinham sido totalmente confirmados. 

Apenas em Catanduva, no norte paulista, 18 pessoas morreram desde janeiro com diagnóstico da doença. De acordo com a prefeitura, sete óbitos foram confirmados. A cidade tem 3.080 registros da doença e 4.568 à espera de resultados.

Em Marília, aconteceram dez mortes neste ano com a dengue diagnosticada no atendimento hospitalar, mas a prefeitura considera só três casos confirmados. Em Sorocaba, são seis mortes - uma confirmada e as outras à espera dos exames. Guararapes, na região noroeste, teve cinco pessoas mortas com dengue - três casos com exame positivo. Em Rio Claro, são duas mortes suspeitas. Houve mortes ainda em Assis, Caraguatatuba, Lins, Limeira e Rubiácea. 

A Secretaria da Saúde do Estado informou dispor só dos dados de janeiro de 2015, quando ocorreram 5.355 casos confirmados de dengue no Estado - 40 infecções por 100 mil habitantes. Em todo o ano passado, foram 193,6 mil casos. Oficialmente, sete mortes por dengue foram confirmadas no Estado. 

Já o boletim do Ministério da Saúde, atualizado anteontem, informa que até o dia 17 deste mês tinham sido notificados em 2015 ao Ministério 51.849 casos no Estado de São Paulo.

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