REUTERS / Ueslei Marcelino
REUTERS / Ueslei Marcelino

Nº de casos suspeitos de microcefalia no País sobe para 5.280

Do total, 837 foram descartados; Pernambuco registra 1.544 ocorrências, enquanto Paraíba, 766, e São Paulo, 500

Lígia Formenti, O Estado de S. Paulo

17 Fevereiro 2016 | 13h04

BRASÍLIA - O número de casos notificados de microcefalia no Brasil chegou a 5.280, de acordo com boletim divulgado nesta quarta-feira, 17, pelo Ministério da Saúde. Do total, 2.106 foram identificados nos primeiros dois meses do ano. 

Em menos de uma semana, o aumento foi de 201 casos. Dos registros acumulados desde o ano passado, 837 já foram descartados – crianças que apresentaram exames normais ou que a má-formação era provocada por causas distintas de doenças infecciosas (como problemas genéticos, por exemplo).

Há confirmação de casos de microcefalia em todas as regiões do País. Os casos aconteceram em 13 unidades da federação, espalhados em 203 municípios. O número é superior também ao que havia sido identificado na semana passada, quando 175 cidades confirmaram o nascimentos de bebês com a má-formação.

Ao contrário do que acontecia nas edições anteriores, o informe epidemiológico divulgado nesta quarta não traz a distribuição de casos de microcefalia e de alterações do sistema nervoso central que tenham dado resultado positivo para zika. No informe passado, com dados reunidos até 6 de fevereiro, haviam sido confirmados 41 casos de pacientes com microcefalia relacionada ao vírus zika.

Para justificar a mudança, o Ministério da Saúde afirmou, em nota, considerar que houve infecção pelo vírus zika na maior parte das mães que tiveram bebês, cujo diagnóstico final foi de “microcefalia e/ou alterações do sistema nervoso central, sugestiva de infecção congênita”. A pasta afirmou ainda que todos os casos são avaliados individualmente e submetidos a um conjunto de exames. “Uma proporção muito pequena desses casos, após seguimento e análises específicas, é confirmada para outras causas.”

A mudança provocou polêmica dentro do próprio ministério. Uma parte da equipe queria que a informação sobre resultados positivos para zika continuasse a ser divulgada. Técnicos da pasta, em condição de anonimato, afirmaram que a decisão do novo formato foi do ministro Marcelo Castro. O novo formato do boletim, avaliam, teria como principal objetivo deixar os números mais altos – e, com isso, reforçar os argumentos para a negociação da criação de um novo imposto para financiar a área da saúde.

O boletim divulgado nesta quarta registra ainda um aumento significativo do número de mortes. Até agora, foram 108 óbitos relacionados à doença logo depois do parto ou ainda durante a gestação. Semana passada, eram 91 óbitos. O Estado com maior número de registros de microcefalia é Pernambuco, com 1.544. Desses, 159 já foram descartados e 1.203 estão em investigação. Em seguida vem Paraíba, com 766 casos notificados – 423 estão em investigação e 287 foram descartados. Em São Paulo, há 500 casos, dos quais 420 permanecem em investigação e 75 foram descartados.

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