ERIC FEFERBERG / AFP
ERIC FEFERBERG / AFP

Número de fumantes no Brasil cai 30,7% nos últimos 9 anos

Um em cada 10 brasileiros ainda tem o hábito de fumar - proporção é maior entre os homens; Porto Alegre, BH e Cuiabá lideram ranking

Lígia Formenti, O Estado de S. Paulo

28 Maio 2015 | 15h42

Atualizada às 20h53

BRASÍLIA - O número de fumantes no Brasil caiu 30,7% em nove anos, de acordo com dados divulgados nesta quinta-feira, 28, pelo Ministério da Saúde. Embora tenha reduzido a população de dependentes, o governo identificou o crescimento do consumo de cigarro ilegal. Pesquisa feita pelo Instituto Nacional do Câncer mostra que o índice de consumidores de cigarros contrabandeados ou falsificados entre a população fumante foi de 2,4% para 3,7% entre 2008 e 2013. 

O governo avalia que o aumento dos preços está entre os principais motivos para a queda do consumo do tabaco no Brasil. A pasta pondera, no entanto, que o mercado ilegal impediu que o avanço na prevenção fosse ainda maior. Isso porque os produtos, comercializados sobretudo no Paraguai, chegam ao Brasil com preços mais baixos, reduzindo a eficácia das políticas implementadas. 

Diante desses números, o Brasil deve anunciar a adesão ao Protocolo de Eliminação do Comércio Ilícito de Produtos do Tabaco. Lançado há dois anos, o documento é um desdobramento da Convenção Quadro do Tabaco, um acordo internacional ratificado pelo Brasil há dez anos com políticas e metas para prevenir o tabagismo. 

Rastreamento. Parte das ações sugeridas pelo protocolo já começou a ser colocada em prática no Brasil, entre elas, a adoção do Sistema de Controle de Rastreamento de Produção de Cigarros, o Scorpios. “Mas há pontos que precisam ser melhorados. Sabemos, por exemplo, que boa parte da produção de folhas não é exportada para fabricação do fumo. Para onde elas vão?”, questiona a diretora da Aliança de Controle do Tabagismo e Saúde (ACT+), Paula Johns. Para o protocolo entrar em vigor, é necessário que 40 países ratifiquem o documento. Até o momento, oito já aderiram.

De acordo com dados coletados pelo Inca, o consumo de produtos ilegais é mais expressivo em Estados que fazem fronteira com Paraguai – especialmente Paraná e Mato Grosso do Sul.

Na região da fronteira, o consumo do cigarro ilegal cresceu 58%, passando de 23,5%, em 2008, para 40,4% em 2013. 

Divisão por gênero. Dados do Ministério da Saúde também mostram que Porto Alegre é a capital com maior índice de fumantes do Brasil. Na capital gaúcha, 17,9% dos homens com mais de 18 anos se declaram fumantes. Entre as mulheres também acima de 18, 15,1% dizem ser tabagistas.

Belo Horizonte é a segunda capital com maior porcentual de homens fumantes (16%), seguida por Cuiabá (15,6%).

Entre o grupo feminino, a capital com maior número de fumantes é Curitiba (15,6%), seguida por Porto Alegre e São Paulo (13%).

O tabagismo é menos frequente em Fortaleza (8,6%), Salvador (9%) e São Luís (9,3%) entre os homens. Entre o público feminino, São Luís, Palmas e Teresina se destacam como as três capitais com menores indicadores de fumantes. Essas cidades têm, respectivamente, 2,5%, 3% e 3,1% de mulheres que fumam.

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