ANDRÉ DUSEK/ESTADÃO
ANDRÉ DUSEK/ESTADÃO

Nº de imóveis visitados contra o 'Aedes' não chega a metade da meta

Visitas atingiram 40% dos locais; em Brasília, ministro da Saúde ouviu críticas de cientista, que cobrou mais verba para pesquisa

Lígia Formenti, O Estado de S. Paulo

19 Fevereiro 2016 | 16h19

BRASÍLIA - Apesar de uma prorrogação no prazo e da realização de um esforço concentrado no último sábado, o número de imóveis vistoriados para identificar a presença de Aedes aegypti não chegou à metade da meta estabelecida pelo governo no fim do ano passado. Até agora, 40% de casas, prédios públicos, comerciais e industriais foram visitados por equipes de agentes da área de saúde ou integrantes das Forças Armadas. 

Embora haja ainda um longo caminho a percorrer, o ministro da Saúde, Marcelo Castro, afirmou que não há, no momento, perspectivas de se prorrogar mais uma vez o cumprimento da meta. “Vamos trabalhar para chegar ao número previsto”, disse o ministro, depois de uma visita ao Instituto de Ciências Biológicas da Universidade de Brasília. O prazo é visitar todos imóveis do Brasil até dia 28 de fevereiro.

Castro afirmou que todas as medidas para que a meta seja alcançada foram adotadas. “Temos salas de coordenação e controle do vetor em todos os Estados, escolhemos 115 municípios prioritários, onde esforços foram reforçados”, disse. De acordo com ele, as dificuldades no cumprimento são inerentes ao tamanho do País. Questionado se a meta estabelecida havia sido muito ousada, ele respondeu: “Fizemos o que tinha de ser feito.”

Até a última quarta, foram vistoriados 27,4 milhões de imóveis. O número representa um aumento de 15% em relação ao balanço anterior. Se mantido o ritmo empreendido no último mês, no entanto, a meta dificilmente será batida. Dia 22 de janeiro, quando o ministério anunciou a primeira prorrogação do prazo para vistoriar todos os imóveis do País, haviam sido visitados 15% de casas, terrenos e prédios.

Durante visita ao Instituto de Ciências Biológicas, o ministro ouviu cobranças do pesquisador Bergman Ribeiro. “O setor precisa de apoio”, disse, reivindicando mais verbas para pesquisa. Ele afirmou também ser necessária a integração de centros e o investimento em vários braços de pesquisas para se avançar no conhecimento sobre o zika e o Aedes aegypti. “Não é um grupo só que vai desenvolver as ferramentas necessárias”, completou.

Antes de visitar o Instituto de Ciências Biológicas, Castro deu uma aula para estudantes do colégio Ciman, para marcar o dia de conscientização de estudantes. Participam da ação 188.673 escolas de educação básica, 63 universidades federais e institutos. “A situação é muito grave”, disse aos alunos. Ele afirmou ser necessário a participação da sociedade e a integração com poder público. “Combater o mosquito não é fácil. Se fosse fácil já tínhamos feito. A luta está perdida? Vamos jogar a toalha? Não”, completou.

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