'O que faço é para os pacientes', diz médico chinês

Médico que faz terapia com células-tronco de fetos em Pequim diz que não liga para as críticas

Herton Escobar, O Estado de S. Paulo

04 Abril 2009 | 22h17

O médico Hongyun Huang, da Academia Hongtianji de Neurociências de Pequim, é um dos que oferecem terapia com células-tronco na China. Desde 2001, ele diz ter tratado 1.500 pacientes. O tratamento consiste em injeções de um tipo de célula chamada glia embaiante olfatória (OEC, em inglês), retiradas do tecido nervoso olfatório (que não são células-tronco), misturadas a células-tronco neurais – ambas extraídas de fetos abortados.

 

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A cirurgia custa 150 mil yuan (cerca de US$ 22 mil) e é oferecida para várias doenças e lesões do sistema nervoso, como traumas medulares, esclerose múltipla, acidente vascular cerebral, paralisia cerebral, demência. O pagamento precisa ser feito antes da cirurgia. Huang concedeu entrevista ao Estado por email.

 

O que o senhor oferece é um tratamento ou uma terapia experimental? Há um grupo de controle para comparar resultados dos pacientes tratados e não tratados?

É tratamento. Comparamos as condições dos pacientes antes e depois da cirurgia.

 

Quem inventou a técnica? Foram feitos testes antes em animais?

Muitos cientistas já fizeram estudos com células OEC em animais. Os bons resultados estão publicados em revistas como Science, Neuron e outros periódicos científicos de alto nível.

 

O protocolo de terapia é o mesmo para todos os pacientes?

Os mesmos tipos de células são injetadas ou transplantadas em diferentes pontos do corpo para pacientes com doenças diferentes.

 

Quantas células são tipicamente injetadas? E de que tipo?

Injetamos 100 microlitros (de uma solução) contendo 1 milhão de células OEC e 2 milhões de células-tronco/progenitoras neurais. As células são obtidas de fetos abortados.

 

Quais os resultados até agora?

A maioria dos pacientes melhorou suas condições clínicas. A terapia celular não pode curar essas doenças, mas pode melhorar suas funções neuronais, como sensação, movimento, controle de bexiga e intestino, equilíbrio, fala. Até agora não detectamos nenhum efeito adverso da terapia. Houve algumas complicações cirúrgicas, como pode ocorrer em qualquer cirurgia.

 

Como o senhor responde aos cientistas que criticam sua prática?

O que eu faço é para os pacientes. Se eles estão felizes, eu estou feliz. Não ligo para o que os outros dizem. A maioria dos cientistas e médicos que discorda do nosso tratamento nunca viu nem avaliou nossos pacientes.

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