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OMS admite que subestimou surto de Ebola

O Estado de S. Paulo

22 Agosto 2014 | 23h 06

‘Francamente, ninguém sabe quando acabará’, diz porta-voz. Mortos chegam a 1.427; órgão prevê de 6 a 9 meses de ações

MONRÓVIA - A Organização Mundial da Saúde (OMS) admite que o surto de Ebola na África Ocidental é bem maior e prosseguirá por "vários meses". Para a OMS, não foi possível identificar todos os casos de infecção, por causa de uma série de fatores, incluindo colapso do sistema de saúde dos países atingidos, subnotificação, mortes sem identificação e famílias que mantêm pacientes em casa.

Nesta sexta, o número de mortes causadas pelo vírus aumentou para 1.427 e há 2.615 infectados. São quatro os países atingidos: Guiné, Serra Leoa, Libéria e Nigéria. A OMS disse estar trabalhando com organizações como Médicos sem Fronteiras e centros de controle de doenças americanos para produzir estatísticas mais realistas. "Ebola não tem cura e alguns acreditam que os entes queridos estarão mais confortáveis morrendo em casa", observou a OMS. "Outros negam ter Ebola e acreditam que o tratamento em isolamento levará à infecção e à morte certa."

Quando há tratamento disponível, as clínicas ficam rapidamente superlotadas, sugerindo que há casos "invisíveis", fora do radar oficial, conforme informou o órgão em Monróvia, capital da Libéria. Sete razões principais foram listadas como causadoras do avanço.

A OMS disse ter um plano estratégico para combater o vírus ao longo dos próximos seis a nove meses, dando a entender que não espera o fim da epidemia neste ano. "Francamente, ninguém sabe quando o surto acabará", disse o porta-voz da OMS, Fadela Chaib.

As dificuldades incluem a expansão clara da doença. Pela primeira vez, foram registrados casos de Ebola no sudeste da Libéria, próximo da fronteira com a Costa do Marfim. Tratava-se até então de uma região livre da epidemia.

O sistema de saúde do país é considerado o pior dentre os que registram casos da doença. "Os sistemas de saúde dos países afetados tinham problemas antes. Agora, estão afundados", afirmou a representante especial do secretário-geral das Nações Unidas (ONU), Karin Landgren. Nesta sexta, a Libéria admitiu que um adolescente morreu após ser baleado por forças de segurança em West Point - bairro com 75 mil pessoas sob isolamento onde houve confronto nesta semana, após o início do cordão sanitário.

Nigéria. Já o governo da Nigéria confirmou dois novos de casos de infecção pelo vírus Ebola nesta sexta. Os infectados são companheiros de pessoas que participaram do tratamento de Patrick Sawyer, cidadão da Libéria que voou para a Nigéria em junho. Só ele causou a contaminação de 11 pessoas antes de morrer, em julho.

São os dois primeiros casos da doença que não envolvem quem teve contato direto com Sawyer. Os companheiros dos infectados haviam morrido após contato com o liberiano. / COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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