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Felipe Dana/AP Photo

OMS alerta para resistência criada pelo 'Aedes' aos inseticidas

De acordo com a organização, governos optam por produtos baratos, o que pode desenvolver mosquitos menos sensíveis

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Jamil Chade,
Correspondente de O Estado de S. Paulo

08 Março 2016 | 09h22

GENEBRA - A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou nesta terça-feira, 8, que cresce a resistência do Aedes aegypti contra inseticidas e pediu que governos atuem contra o vetor de dengue, zika e chikungunya com o uso controlado de produtos químicos. “Para minimizar o impacto da resistência em programas de combate, decisões adequadas devem ser tomadas.”

Segundo a entidade, muitos governos têm optado por inseticidas baratos e de impacto moderado para evitar gastos elevados. Mas o resultado pode acabar sendo o desenvolvimento de insetos mais resistentes e a necessidade de voltar a usar produtos químicos, desta vez mais caros e afetando a capacidade administrativa de garantir a cobertura de toda a área atingida.

Para a OMS, um plano de combate ao vetor da dengue deve ser acompanhado por diferentes métodos. Um deles se refere à rotação de diferentes produtos, não repetindo o mesmo inseticida durante um intervalo de dois anos. Se a área geográfica a ser controlada for grande, sugere-se também a utilização de produtos diversos em cada um dos bairros sob alvo de uma operação. A entidade, porém, admite que a estratégia de diversificar os instrumentos contra o vetor é “de difícil implementação, especialmente com uma epidemia que ganha força e quando é chave conter o surto”.

Repelente. A OMS também pede que haja um combate aos criadouros, junto com o uso do inseticida. A utilização de redes em casas, roupas adequadas e maior uso de repelente voltou a ser sugerido.

Dermatologista e coordenadora científica da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), Denise Steiner diz que os repelentes disponíveis no mercado brasileiro são eficazes contra o Aedes e as diferenças dizem respeito à substância principal e ao tempo de ação. “Mas a gestante tem de se proteger. De uma maneira geral, orienta-se que a grávida tenha cuidado, porque pode absorver o produto e passar para o feto.” 

A orientação é de não ultrapassar três aplicações por dia. “Em geral, eles duram quatro horas, então, a grávida tem de observar o horário mais crítico, que é de manhã e ao anoitecer, para fazer a aplicação.”

Gustavo Gusso, diretor da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade, diz que não é necessário passar o repelente em todo o corpo, mas apenas nas regiões que ficarão expostas. O produto pode ser aplicado no rosto, mas sem contato com os olhos e a boca. Caso a pessoa tenha algum sinal de alergia, como vermelhidão na pele, deve buscar um especialista. “Se acontecer e for evidente que foi o repelente, deve-se lavar a região e procurar um pronto-socorro.” / COLABOROU PAULA FELIX

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