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OMS amplia recomendação de vacina contra febre amarela para Estado de SP

Segundo o novo informe, viajantes internacionais com previsão de ida ao litoral deverão ser imunizados; governo diz que rotina local não será alterada

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Lígia Formenti ,
O Estado de S.Paulo

20 Março 2017 | 21h00

BRASÍLIA - A Organização Mundial da Saúde  (OMS) passou a recomendar a vacina contra febre amarela para todos os viajantes internacionais que se destinam ao Estado de São Paulo, com exceção das áreas metropolitanas da capital e de Campinas. A orientação, divulgada nesta segunda-feira, 20, é mais abrangente do que a adotada atualmente no Estado, pois inclui toda a região litorânea paulista, hoje considerada livre de risco para a doença. 

O coordenador de Controle de Doenças da Secretaria de Saúde de São Paulo, o infectologista Marcos Boulos, afirmou que a mudança da OMS não vai alterar a recomendação local. "Não vemos atualmente motivo para vacinar a população do litoral. Não há até o momento nenhum indício de risco de febre amarela naquela região." Boulos acredita que a recomendação da OMS foi tomada diante dos casos na Serra do Mar do Rio e do receio de que os casos avancem para São Paulo.  

"O monitoramento está sendo realizado. Os casos ocorreram em uma região distante do litoral paulista", completou. O diretor assegurou que, caso seja observado o aparecimento de infecções suspeitas ou de mortes de macacos com indícios da doença em áreas mais próximas de São Paulo, a estratégia será revista. "Nessa situação podemos começar a pensar em cobrir o litoral norte paulista. Mas no momento ainda não."

 

 

Boulos afirmou ser necessária muita cautela na indicação da vacina contra febre amarela. Ele  lembrou que, como o imunizante é feito com o vírus atenuado, há um risco (embora pequeno) de reações adversas. A estimativa é de que ocorra entre 1 morte a cada  200 mil e até 1 morte a cada 1 milhão de doses aplicadas. "Daí a necessidade de se fazer uma imunização com cuidado, selecionando gradativamente as pessoas que estão sendo imunizadas."O diretor criticou a conduta que está sendo adotada no Rio, com indicação de vacina para toda população. "É uma irresponsabilidade", classificou. 

"Se toda população for vacinada, há um risco de o Estado registrar, pelo menos, 16 mortes provocadas por reação ao imunizante", avaliou. Ele lembrou ainda que o número de casos da doença registrados no Estado não justificam a ação nestas proporções.

O infectologista observou que, em casos de vacinação aleatória, profissionais de saúde têm menos recursos para filtrar os casos em que o imunizante é contraindicado, como pessoas com doenças autoimunes ou que fazem uso de remédios que diminuem a resposta imunológica. "Mesmo com todo cuidado na vacinação, há em São Paulo duas mortes prováveis de terem sido provocadas pela vacina. No caso do Rio, isso pode chegar a 60."

Boulos disse estar convicto de que a febre amarela está se alastrando pelo País. "Sabemos que a doença vai chegar em outras áreas do Estado. Mas a previsão é de que isso não aconteça agora. Vamos ampliar a vacinação, mas com calma, com cautela."

Além de São Paulo, o comunicado da OMS recomenda que viajantes que se destinam para o Rio (com exceção da capital e de Niterói) também sejam imunizados contra a febre amarela. Este é a terceira alteração nas orientações a viajantes feita pelo organismo neste ano. Em janeiro, a OMS estendeu a indicação da vacina para 69 municípios do sul e sudoeste da Bahia. No dia 6 deste mês, foi a vez de a recomendação ser feita para todo o Espírito Santo. 

O Ministério da Saúde afirmou que não haverá alterações na recomendação da vacina no País. Além das áreas já consideradas de risco, em São Paulo o imunizante é recomendado para 125 cidades; no Rio, para 55. No Espírito Santo, por sua vez, 78; e na Bahia, 35.

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