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Yamil Lage/AFP

Cresce nº de países com síndrome ligada ao zika

Guillain-Barré chega a nove localidades; Organização Mundial da Saúde (OMS) deve decretar o vírus emergência mundial

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Jamil Chade,
Correspondente de O Estado de S. Paulo

07 Março 2016 | 11h11
Atualizado 08 Março 2016 | 09h15

GENEBRA - A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que, em um mês, passou de três para nove o número de países onde há uma associação aparente entre o vírus zika e a síndrome de Guillain-Barré, doença que afeta o sistema imunológico e que ataca parte do sistema nervoso. O Brasil está nesta lista. Nesta quarta-feira, 8, em Genebra, a entidade se reúne uma vez mais em caráter de emergência para analisar o surto. A ligação entre o vírus e a síndrome, além dos casos de microcefalia, servirá de base para uma nova avaliação. 

Nesta terça-feira, 7, em reunião fechada com especialistas, Bruce Aylward, diretor executivo do Departamento de Surtos da OMS, já indicou que as “evidências se acumulam”, apontando para a relação entre o vírus, a microcefalia e a Guillain-Barré. O Estado participou da reunião, em que o tom era um discurso cada vez mais alarmante por parte da direção da entidade.

Em 1.º de fevereiro, a OMS declarou apenas a microcefalia e a síndrome de Guillain-Barré como emergência internacional, alertando que ainda não haviam indícios claros da relação com o vírus zika. Aylward, nesta terça-feira, insistia que o cenário “mudou”.

“Se compararmos com a situação há um mês, os dados apontam em uma direção. Desde então, muito aconteceu. Não podemos provar nada ainda. Mas passamos de uma evidência muito fraca para moderada de associação causal”, disse. “Isso levou a uma nova urgência para os debates.”

Entre as opções debatidas, a entidade estuda agora declarar o vírus zika como emergência internacional. Segundo Aylward, os nove países onde é forte a relação entre a síndrome e o vírus são Brasil, Colômbia, El Salvador, Polinésia Francesa, Suriname, Venezuela, Martinica, Porto Rico e Panamá.

Com as evidências de que o vírus zika pode estar relacionado com a síndrome e com a infecção se alastrando por várias partes do mundo, há uma tendência de que o número de países com registros de Guillain-Barré aumente, segundo José Luiz Pedroso, professor afiliado do Departamento de Neurologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

“Há evidências de que, com o zika, houve aumento da frequência de casos de Guillain-Barré. Pacientes com infecção pelo zika apresentavam uma frequência maior (da síndrome) do que com outros vírus. A tendência é de que os casos aumentem em outros lugares, mas ainda faltam estudos epidemiológicos e, com o tempo, as autoridades de saúde terão mais subsídios para isso.”

Brasil e mundo. No Brasil foram registrados 1,7 mil casos de Guillain-Barré em 2015, 19% acima da média. Na Bahia, a OMS aponta para 42 casos da síndrome, dos quais 62% tinham uma “história consistente com uma infecção do vírus zika”.

No mundo, a Colômbia tinha 201 casos da síndrome até 14 de fevereiro com suspeita de relação com a infecção do vírus. Entre 1.º de dezembro de 2015 e 8 de janeiro, 118 casos foram registrados em El Salvador, enquanto a média anual é de 169 casos. Na Venezuela, foram 252 casos em janeiro. Há ainda dois registros de pessoas contaminadas pelo zika na Martinica. 

As evidências sobre a microcefalia também serão avaliadas na reunião desta quarta-feira. Aylward lembrou que tanto os novos estudos como a proliferação de casos têm mudado a percepção da OMS. “Agora, temos 41 países desde janeiro de 2015 com casos de zika e o número continua a aumentar.”

Pesquisas ainda conseguiram isolar o vírus em mães que tiveram filhos com microcefalia, enquanto um estudo publicado no New England Journal of Medicine também reforçou a associação em mulheres brasileiras. “Outros estudos ainda mostram os efeitos do vírus nas células.” Para Jorge Kalil, presidente do Instituto Butantã, “está cada vez mais clara a associação entre zika e microcefalia”. /COLABOROU PAULA FELIX

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