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OMS declara gripe suína como 'emergência internacional'

Agência Mundial de Saúde alerta para o risco de pandemia; EUA confirmam mais dois casos no Kansas

Agências internacionais,

25 Abril 2009 | 19h20

A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou que o surto de gripe suína na América do Norte é um caso de "emergência na saúde pública internacional", significando que os países em todo o mundo deverão acentuar a vigilância e o alerta sobre a doença que supostamente teria matado 68 pessoas no México e contaminado 1 mil. A OMS teme que o surto se espalhe para outros países, transformando-se em uma pandemia, e pediu resposta coordenada para conter a gripe suína.

 

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Nos Estados Unidos, o Departamento de Saúde do Kansas confirmou dois casos de gripe suína no Estado, enquanto autoridades da Cidade de Nova York anunciaram que possivelmente oito estudantes estariam contaminados. Pelo menos oito casos, não fatais, foram também reportados na Califórnia e no Texas. O governo mexicano divulgou um decreto especial concedendo poderes do Departamento de Saúde para isolar pacientes e inspecionar residências, pessoas que chegam ao país e bagagens a fim de evitar um alastramento da doença

 

A diretora-geral da OMS, Margaret Chan, tomou a decisão de decretar situação de emergência após convocação de um comitê de crise pela primeira vez desde que o grupo foi criado, há dois anos. Chan havia dito mais cedo que o surto da gripe suína tem potencial de se tornar uma pandemia. Mas a OMS evitou elevar o nível de alerta para pandêmico, citando haver necessidade de obter mais informações sobre a doença

 

Chan também informou que "seria prudente que as autoridades de saúde dos países fiquem alerta para surtos de doenças semelhantes a gripe ou pneumonia, especialmente em períodos fora do normal". Segundo ela, "outro importante sinal é excesso de casos de gripe severa ou fatal em grupos além de crianças ou idosos, que normalmente são os mais atingidos".

 

Mais de mil pessoas ficaram doentes no México. Em algumas delas foi confirmada a contaminação por um tipo de vírus da gripe suína chamado A/H1N1. Essa variante particular do vírus não tinha sido vista anteriormente em suínos ou humanos, embora tenha havido casos de contaminação pelo H1N1. "Esta é uma grande preocupação para nós da OMS", disse Hartl.

 

A atual vacina sazonal para gripe não oferece proteção para essa nova doença, mas o antiviral Tamiflu parece ser efetivo contra o H1N1. "México e EUA têm grandes estoques de Tamiflu", afirmou o porta-voz da organização. Segundo o porta-voz da OMS, Aphaluck Bhatiasevi, testes iniciais mostraram que o medicamento antiviral Tamiflu, fabricado pela companhia farmacêutica Roche Holding, sediada na Basileia, parece ser efetivo contra o vírus que causa a gripe suína.

 

"A informação que temos até agora é de que o vírus reage ao Tamiflu", disse o porta-voz da OMS, Aphaluck Bhatiasevi, à agência Dow Jones. A OMS espera obter informações conclusivas sobre o potencial do medicamento no combate à doença nos próximos dias. A OMS, que mantém conversações com a Roche sobre fornecimento de estoques de emergência do medicamento, tem capacidade de mobilizar cerca de 300 milhões de tratamentos em adultos, assim como um número de tratamentos em crianças, disse Bhatiasevi. Antes do encontro de emergência deste sábado, a OMS pediu aos países que implementem medidas ativas de vigilância. A Roche confirmou que pode distribuir vários milhões de doses do Tamiflu, caso o tratamento se mostre realmente eficiente.

 

O governo francês convocou um grupo de crise para atuar na situação, prevendo o aparecimento de casos suspeitos nos próximos dias em consequência do elevado número de voos para o país. A Escola Francesa no México já foi fechada e os cidadãos franceses que vivem no México instruídos sobre como evitar serem contaminados.

 

As autoridades chilenas ordenaram um alerta sanitário que inclui inspeção nos aeroportos de passageiros provenientes do México. No Peru, as autoridades também disseram que irão monitorar passageiros provenientes do México, dos Estados Unidos e pessoas com sintomas de gripe serão avaliadas por equipes de saúde. O Ministério da Saúde brasileiro igualmente anunciou medidas de supervisão da saúde em todos os pontos de entrada no país. Alguns países asiáticos já reforçaram a fiscalização de passageiros provenientes do México.

 

Medidas no Brasil

 

O Ministério da Saúde comunicou neste sábado a criação de um Gabinete Permanente de Emergência, formado por representantes do próprio Ministério, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e do Ministério da Agricultura. O grupo ficou responsável por acompanhar a evolução da gripe suína identificada no México e nos Estados Unidos, que já matou dezenas de pessoas no México. Segundo o comunicado, o gabinete deverá se reunir diariamente em Brasília.

 

O governo brasileiro afirmou no texto que "não há evidências da circulação do vírus da influenza suína em humanos no Brasil", e que pretende intensificar a fiscalização nos aeroportos. Além disso, o Ministério da Saúde orientou viajantes que estiveram no México e nos Estados Unidos recentemente para que fiquem atentos a possíveis sintomas da doença. "Os viajantes procedentes desses dois países e que apresentarem os sintomas devem procurar o posto da Anvisa no aeroporto de desembarque no Brasil", diz o comunicado. Os sintomas, segundo o ministério, são a ocorrência de febre acima de 39 graus acompanhada de problemas como tosse e/ou dores de cabeça, nos músculos e nas articulações.

 

Entre outras ações adotadas pelo governo brasileiro estão a distribuição para passageiros de voos para os dois países de materiais educativos com informações sobre sintomas, medidas de proteção e higiene; e orientações para procurar assistência médica. A tripulação das aeronaves também deve ser orientada a informar os passageiros, ainda durante o voo, sobre os sintomas que definem os casos suspeitos.

 

Apesar dos cuidados, o Ministério da Saúde fez questão de tranquilizar a população brasileira. "Reforça-se que não há recomendação para a população do Brasil usar máscaras cirúrgicas, a exemplo do que vem ocorrendo no México", diz um dos itens do comunicado. Em outro, o governo reforça que "o consumo de produtos de origem suína não representa risco à saúde das pessoas".

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