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Sérgio Castro/Estadão

OMS defende pesquisas com 'Aedes' transgênico para conter zika

Entidade quer mais testes com mosquito modificado; ambientalistas alertam que não é possível prever os efeitos de longo prazo

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O Estado de S.Paulo

16 Fevereiro 2016 | 09h53

GENEBRA - A Organização Mundial da Saúde (OMS) defendeu nesta terça-feira, 16, mais pesquisas sobre métodos alternativos na luta contra a proliferação do vírus zika nas Américas, como mosquitos geneticamente modificados e bactéria para infectar insetos.

O vírus foi associado a um aumento do número de casos de recém-nascidos com microcefalia no Brasil e na Polinésia Francesa, embora ainda não haja nenhuma prova definitiva dessa relação. O zika é trasmitido pelo Aedes aegypti, mesmo vetor da dengue e da chikungunya.

Em nota, a OMS afirmou que seu conselho recomendou mais testes de campo com mosquitos transgênicos, a exemplo do que ocorre nas Ilhas Cayman, onde insetos transgênicos estéreis foram liberados para cruzar com fêmeas selvagens.

No Brasil, a cidade de Piracicaba, no interior de São Paulo, usou o Aedes transgênico para controlar o mosquito. As medições no índice de larvas realizadas até o final de novembro mostram que a população é cada vez menor no bairro do Cecap, onde os insetos foram liberados.

A dispersão dos mosquitos geneticamente modificados teve início em abril. Em média, são liberados 800 mil machos por semana - no total já foram liberados quase 23 milhões do chamado "Aedes do Bem". Os mosquitos modificados são produzidos pelos laboratórios da empresa Oxitec, em Campinas, também no interior de São Paulo.

Grupos ambientalistas criticaram esses testes e argumentaram que é impossível saber os efeitos de longo prazo de aniquilar uma população inteira de mosquito. 

Honduras. As autoridades de Saúde de Honduras informaram nesta segunda-feira, 15, que o país registra 40 casos da Síndrome de Guillain-Barré, que ataca o sistema nervoso e, em alguns casos, pode ocasionar fraqueza muscular, possivelmente relacionados com o vírus zika.

"Temos 40 casos de Guillain-Barré, dos quais dois estão respirando com a ajuda de aparelhos e os outros estão estáveis", disse o vice-ministro da Saúde de Honduras, Francis Contreras.

Segundo números oficiais, mais de 11.400 casos de zika foram registrados em Honduras, dos quais 40 correspondem a mulheres em estado de gestação, afirmou o funcionário.

Contreras indicou que os 8,5 milhões de hondurenhos estão expostos "a contrair a doença".

O vice-ministro hondurenho enfatizou que as autoridades de saúde continuarão com uma campanha nacional de erradicação dos criadouros de mosquitos iniciada há duas semanas com a participação de funcionários públicos, estudantes, igrejas, policiais, militares e representantes do setor privado.

O vírus da zika causa manchas na pele e apresenta outros sintomas como febre, dores nas articulações, conjuntivite, dores musculares e dor de cabeça.

Microcefalia. As autoridades de um hospital próximo da fronteira de Honduras com a Nicarágua estão analisando desde a sexta-feira, 12, o primeiro caso de um bebê nascido com microcefalia no país, possivelmente associada ao vírus zika.

A criança nasceu na sexta-feira de parto natural e tem uma "anomalia congênita", disse o diretor do Hospital Gabriela Alvarado, Gonzalo Maradiaga.

A mãe, uma jovem de 23 anos e cuja identidade não foi divulgada, teve contato com o vírus nos primeiros três meses de gestação, segundo as autoridades do hospital. /COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

 

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