James Gathany/CDC/AP
James Gathany/CDC/AP

OMS e ONU não têm recursos para lidar com o avanço do vírus zika

Organizações receberam somente cerca de 10% do dinheiro necessário para implementar programas de combate à doença

Jamil Chade, Correspondente de O Estado de S. Paulo

30 Maio 2016 | 07h43

GENEBRA - A Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Organização das Nações Unidas (ONU) não têm dinheiro para implementar o plano que desenharam para frear o vírus zika. Dados divulgados nesta segunda-feira, 30, pelas entidades apontam que as organizações que deveriam se mobilizar contra a nova doença não contam com os recursos exigidos. De um total de US$ 53,3 milhões solicitados para enfrentar o vírus, foram levantados pouco mais de 10% do valor, cerca de US$ 5,7 milhões.

Declarada como uma emergência internacional de saúde pública, o zika obrigou a OMS a se mobilizar para tentar conter a doença, já espalhada por 60 países. Cientistas e até atletas já até alertam sobre os riscos dos Jogos Olímpicos do Rio. Ainda que a OMS insista que não existe chance de um adiamento do evento, a realidade é que seu programa de ação está sendo seriamente afetado por falta de dinheiro. 

A entidade pediu doações e contribuições de governos no valor de US$ 17,7 milhões. Mas recebeu apenas US$ 2,3 milhões até agora. 

A Organização Pan-americana de Saúde (Opas) havia feito um apelo por US$ 8,1 milhões. Mas recebeu apenas US$ 1,6 milhão para suas ações na região mais afetada pela crise. Outro parceiro da ONU, a AmeriCares, solicitou US$ 4,1 milhões - recebeu apenas US$ 40 mil. 

Diversas entidades sofrem com o mesmo problema. O Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA, na sigla em inglês) solicitou US$ 9,6 milhões e foi praticamente ignorado. Apenas US$ 250 mil entraram no caixa. 

Mesmo no Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef, na sigla em inglês), o pedido de US$ 13,8 milhões foi atendido em somente US$ 1,7 milhão, deixando um buraco de US$ 12 milhões.

Segundo a OMS, um novo plano será lançado em julho para lidar com o que a entidade chama de "proliferação" cada vez maior da doença. Para a agência, o zika vai continuar ganhando novos territórios.  

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