Frederick Murphy/CDC
Frederick Murphy/CDC

OMS promete não subestimar novo surto de Ebola na República Democrática do Congo

Entidade diz acompanhar com rigor casos em povoado localizado em região remota do país; doença já matou três

O Estado de S.Paulo

18 Maio 2017 | 13h58

GENEBRA - A Organização Mundial da Saúde (OMS) prometeu nesta quinta-feira, 18, que não subestimará o novo surto de Ebola na República Democrática do Congo (RDC), que afeta por enquanto 20 pessoas. A entide afirmou estar disposta a lançar uma campanha de vacinação se tiver o consentimento das autoridades.

"Nunca vamos subestimar o vírus do Ebola. Nos manteremos atentos para estarmos seguros para não nos arrependermos mais adiante", assegurou o diretor de Emergências Sanitárias da OMS, Peter Salama.

O surto acontece no povoado de Likati, na província de Bas-Uele, uma das mais remotas do nordeste do país, que carece de vias de acesso asfaltado, onde os serviços de telecomunicações são praticamente inexistentes e a eletricidade é parcial.

Salama indicou que dos 20 casos identificados, dois foram confirmados em laboratório e os 18 restantes são suspeitos, enquanto três pessoas morreram, incluindo um homem de 39 anos que provavelmente seja o caso inicial, uma pessoa que cuidava dele e o motorista da motocicleta que o levou ao hospital.

Likati está situada a 1,4 mil quilômetros da capital, Kinshasa, e mais de 350 quilômetros do centro urbano mais próximo.

Em tais circunstâncias, a logística será o maior desafio a superar para conter a propagação do vírus do Ebola.

Isso não somente porque as comunicações são péssimas, senão pela forte insegurança que reina nessa área, onde opera o grupo rebelde Exército de Resistência do Senhor e há população refugiada do conflito na vizinha República Centro-Africana.

O responsável de emergências na OMS disse à imprensa que a maior prioridade agora é fazer o acompanhamento de mais de 400 contatos dos casos identificados.

Esta emergência levou rapidamente à instalação do primeiro centro de tratamento de Ebola no hospital principal da localidade, ao envio de um laboratório móvel e de equipes de comunicação "para que a operação tenha êxito", explicou Salama.

O custo desta operação de contenção para os primeiros seis meses é estimado em US$ 10 milhões.

"Não sabemos qual é a amplitude do surto. As equipes (enviadas pela OMS e outras entidades humanitárias) realizarão uma avaliação nas próximas semanas e saberemos qual é a situação exata", indicou.

O especialista antecipou a vontade de iniciar uma campanha de imunização com uma vacina experimental que mostrou altos níveis de eficácia e segurança em amplos testes clínicos realizados na Guiné em 2015 para deter a epidemia que então afetava a África Ocidental.

"Para desdobrá-la necessitamos do pleno consentimento das autoridades competentes, no marco de um uso compassivo, e de logística, para nos centrar no contato, nos contatos de contatos e no pessoal sanitário", disse Salama.

A avaliação de risco realizada pela OMS indica que este é, por enquanto, "alto" no território da RDC, "médio" a nível regional e "baixo" a nível internacional.

"Acreditamos que o governo da RDC tenha uma forte experiência para manejar estas situações de surtos de Ebola". /EFE

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