ONU acredita que epidemia de aids já pode ter chegado ao auge

Estima-se que 33,3 milhões sejam portadores do vírus, mas casos começam a se reverter

Reuters

23 Novembro 2010 | 20h21

LONDRES - Estima-se que 33,3 milhões de pessoas sejam portadoras do vírus da aids no mundo, mas a epidemia está começando a se desacelerar e até a ser revertida, segundo relatório divulgado pela ONU nesta terça-feira, 23.

 

O total de soropositivos em 2009 era ligeiramente inferior aos 33,4 milhões do ano anterior. Mas acredita-se que cerca de 10 milhões de pacientes em países pobres não tenham acesso a medicamentos importantes para controlar a doença.

 

Crianças e grupos marginalizados, como usuários de drogas e profissionais do sexo, também têm menos chances de receber tratamento que os demais, de acordo com o relatório da Unaids (agência da ONU para o combate à aids).

 

"Pela primeira vez, podemos dizer que estamos rompendo a trajetória da epidemia. Paramos e começamos a revertê-la. Menos gente está sendo contaminada com o HIV e menos gente está morrendo de aids", disse o diretor executivo da Unaids, Michel Sidibé.

 

Desde o início da propagação do vírus, na década de 1980, mais de 60 milhões de pessoas já foram contaminadas e quase 30 milhões morreram. A aids pode ser controlada com remédios, mas ainda não existe cura.

 

O relatório da Unaids revela que a taxa de novas contaminações caiu quase 20% nos últimos dez anos, e que a queda entre jovens dos 15 países mais atingidos foi ainda mais acentuada - acima de 25% -, o que mostra uma disseminação de práticas sexuais seguras.

 

Mesmo assim, ainda há duas pessoas contaminadas para cada paciente que começa o tratamento. "Há poucos anos, havia cinco novas infecções para cada duas pessoas que iniciavam o uso do coquetel", afirmou Sidibé por telefone. "Estamos reduzindo a lacuna entre prevenção e tratamento."

 

O diretor da Unaids salientou, porém, que não é o caso de declarar "missão cumprida" contra a aids, pois ainda há preocupação com a redução nas verbas para o combate da doença, cujo total se manteve estável em 2009, pela primeira vez.

 

A Unaids informou que, no ano passado, havia cerca de US$ 15,9 bilhões disponíveis para controlar a epidemia, o que representa US$ 10 bilhões aquém do necessário.

 

"A demanda está superando a oferta. Estigma, discriminação e leis ruins continuam representando obstáculos às pessoas que vivem com HIV e às marginalizadas", destacou Sidibé.

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