País receberá kits prontos de diagnóstico da gripe suína

Por enquanto, duas pessoas estão internadas sob a suspeita de estarem infectados pelo vírus H1N1

Lígia Fomenti, O Estado de S.Paulo

30 Abril 2009 | 16h25

O País vai receber nos próximos dias kits prontos para o diagnóstico de gripe suína. A Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) vai encaminhar para 30 Centros Nacionais de Influenza das Américas, incluindo do Brasil, exames para diagnóstico da doença, que serão usados em pacientes onde há forte indício de contaminação pelo vírus H1N1. As remessas devem começar a ser feitas no sábado.

 

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Os testes podem apressar a confirmação ou o descarte de casos no País. Até agora, há registro de dois pacientes com suspeita de contaminação: um em Minas Gerais e outro em São Paulo. Os dois apresentam mais de um sintoma da doença e estiveram no México, país onde há casos confirmados de influenza suína. Nesta quinta, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, havia afirmado que testes para confirmar se pacientes estão com H1N1, produzidos no Brasil, estariam prontos em até 10 dias. Com a chegada dos kits prontos, a confirmação ou descarte dos casos pode ocorrer mais rapidamente. Pelo menos outros 36 pacientes com sintomas de gripe são monitorados

 

Os testes brasileiros serão feitos a partir do sequenciamento genético enviado pela Organização Mundial da Saúde para o País. O sequenciamento já foi transmitido para uma empresa, encarregada de enviar o material necessário para fazer o kit, informou Eduardo Hage, da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde. Com o material, o País poderá fazer rapidamente kits para o uso nos casos suspeitos no País. O teste preparado pelo Brasil usa a mesma técnica do que será enviado pela Opas.

 

"O Brasil tem uma ótima rede. Os kits poderão ser úteis neste primeiro momento", afirmou o gerente de Vigilância em Saúde, Prevenção e Controle de Doenças da Opas, Jarbas Barbosa. Para ele, o mundo está muito perto de entrar na fase 6 do alerta de epidemia. "Basta que, Espanha, Reino Unido ou país que esteja fora do continente americano apresente transmissão comprovada da doença", disse.

 

A equipe de emergência, formada por funcionários da Opas, OMS e CDC continua no México para avaliar o potencial de transmissão e a agressividade do vírus da influenza suína no país. A impressão, por enquanto, é que, na maior parte dos casos de morte provocada pela gripe suína, havia também outras doenças envolvidas. O número de casos novos internados no México mantém-se estável e hospitais locais têm entre 45% e 80% de seus leitos preenchidos.

Casos

A Secretaria de Estado da Saúde de Minas Gerais informou nesta quinta que, de acordo com boletim médico do Hospital das Clínicas, em Belo Horizonte, três dos cinco pacientes que estavam sendo monitorados para investigação de gripe suína tiveram alta na noite de quarta. De acordo com as informações, os resultados dos exames de dois pacientes, realizados pela Fundação Oswaldo Cruz deram negativo e o outro caso foi descartado por critério clínico.  

 

No México, país onde a doença teria tido origem, o ministro da Saúde, José Angel Córdova, afirmou que o número de pessoas infectadas subiu para 260 nesta quinta. Destes, 12 casos foram confirmados como causadores da morte.

 

Ao menos mais sete casos foram confirmados na Europa nesta quinta: três na Espanha e quatro no Reino Unido, sendo um deles o primeiro registrado na Irlanda do Norte. Agora, Reino Unido tem oito pessoas com a doença e a Espanha, 13. Nos Estados Unidos, o número de pessoas infectadas pelo vírus H1N1 subiu para 109, depois que mais dez casos foram confirmados na Carolina do Norte. O primeiro caso da chamada gripe suína também foi registrado na América do Sul:  uma argentina está internada em Lima, no Peru. Ela passou pelo México nos últimos dias. 

 

Impasse

 

Por causa da pressão feita pelo setor agropecuário e dos produtores de suínos, além agência da ONU para alimentação, a OMS resolveu adotar apenas o nome científico da doença e descartar o termo "gripe suína". O porta-voz da OMS, Dick Thompson, disse a jornalistas em Genebra que "vamos ficar com o nome técnico-científico, H1N1 influenza A".

 

A reclamações em relação ao antigo termo se deve ao embargo na expotação de carnes e produtos derivados do porco e também pelo extermínio de centenas de animais em alguns países. Apesar desse nome, não há relatos nos Estados Unidos de porcos infectados pela doença. A gripe suína inclui componentes de variantes de vírus que também afetam pessoas e aves em três continentes. Até agora a OMS manteve o nome da doença, argumentando que o vírus, cujas origens exatas ainda são desconhecidas, tem um componente suíno substancial.

 

(Com Agência Estado, Reuters, AP e Efe)

 

Atualizado às 17 horas para acréscimo de informações.

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