Para europeus, gripe suína já matou 843 pessoas no mundo

Seriam 843 mortes em todo o mundo e cerca de 167 mil casos da infecção já registrados em laboratórios

Jamil Chade, de O Estado de S. Paulo,

22 Julho 2009 | 18h37

Os governos europeus se prepararam para um amplo esforço de vacinação contra a gripe suína nos próximos meses e alertam que as férias de verão no Hemisfério Norte podem gerar uma multiplicação de casos. Viagens mais frequentes, principalmente de crianças, podem ampliar o problema. Sem dados oficiais da Organização Mundial da Saúde, a Comissão Europeia divulgou seus próprios números. Seriam 843 mortes em todo o mundo e cerca de 167 mil casos já registrados em laboratórios.

 

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Mas especialistas apontam que o número real de pessoas contaminadas já seriam muito maior. Só o Reino Unido admite que pode ter tido 55 mil casos. Em Londres, o governo anunciou planos de vacinar metade da população até o final do ano, cerca de 30 milhões de pessoas. As primeiras doses da vacina na Inglaterra serão disponibilizadas já em agosto. 

 

O temor é também econômico. Um estudo da Ernst and Young apontou que a crise financeira e a gripe poderiam gerar uma queda no PIB britânico de 7,5%. Outro países também já reconhecem o problema. A França anunciou que já adquiriu 94 milhões de doses da vacina, que serão entregues em outubro. A Alemanha encomendou 50 milhões de doses.

 

Na Rússia, sem recursos para pagar por todos, o apelo é para que a população busque formas de se vacinar. A comissária de Saúde da Europa, Androulla Vassiliou, confirmou que vai propor uma plano de ação regional para lidar com a gripe. Uma das ideias seria a de criar um fundo para a compra de vacinas que seriam destinadas aos países do Leste Europeu.

 

Mas, enquanto isso, governos começam a adotar medidas de toda a natureza. Na Europa, vários países já pensam em adiar o retorno às aulas, marcado para setembro. Na França, o governo já prepara materiais educacionais para rádios e TVs caso tenha de fechar as escolas.  Um estudo publicado na revista médica The Lancet admite que fechar escolas pode ajudar a romper a cadeia de transmissão da doença, reduzindo a pressão sobre os serviços de saúde.

 

Mas o estudo, feito pelo Imperial College de Londres, aponta para os custos econômicos diante da obrigação dos pais de ficar em casa com suas crianças. 

 

Por enquanto, quem está ganhando é o setor farmacêutico. Os resultados financeiros da GlaxoSmithKline apontaram um aumento de 9% em suas vendas no semestre, mesmo diante da pior crise financeira em 60 anos. A empresa já recebeu encomendas de 195 milhões de doses da futura vacina contra gripe e planeja vender US$ 4,9 bilhões em antivirais, máscaras e vacinas.

 

A empresa confirma que está em negociações para a venda de seus produtos para 50 países. Mas as primeiras doses da empresa britânica irão justamente para o governo do Reino Unido, em agosto. A empresa admite que espera uma demanda sustentável "por alguns anos". 

 

A produção de seu antiviral, o Relenza, foi triplicado e até o final do ano 190 milhões de doses serão fabricadas. Só o governo americano comprará US$ 250 milhões em produtos contra a pandemia.  A empresa rejeita a tese de que esteja tirando proveito da pandemia e garante que enviará 50 milhões de doses da vacina para os países mais pobres. O volume é metade da compra apenas do governo britânico. Hoje, 70% da capacidade de produção de vacinas contra a gripe suína está na Europa. 

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