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Parasita da tainha entra em lista de risco do governo

CLARISSA THOMÉ - Agência Estado

28 Junho 2010 | 18h 49

Trematódeo Ascocotyle, transmissor da heterofiíase humana, está no mesmo nível do vírus da rubéola

RIO DE JANEIRO - O parasita Ascocotyle (Phagicola), encontrado na tainha e transmissor da heterofiíase humana, foi incluído na Lista de Classificação de Risco dos Agentes Biológicos, revisada este ano pelo Ministério da Saúde. O trematódeo ganhou a classe de risco 2 - "moderado risco individual e limitado risco para a comunidade" - e está no mesmo nível do vírus da rubéola. Pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz descreveram pela primeira vez o ciclo de vida do Ascocotyle. O estudo, publicado no periódico científico Acta Tropica, permitirá o desenvolvimento de exames específicos para o parasita.

O Ascocotyle (Phagicola) atinge o ser humano pelo consumo da tainha crua ou mal cozida e causa a heterofiíase humana, cujos sintomas são diarreia e dor abdominal. Como a parasitose é pouco conhecida no País, acaba não detectada nos exames de fezes convencionais. "As pessoas ficam infectadas e não se dão conta. Sentem diarreia, dor abdominal, depois passa, e vão convivendo com isso", explicou a bióloga Cláudia Portes Santos, do Laboratório de Avaliação e Promoção da Saúde Ambiental, do Instituto Oswaldo Cruz, que orientou tese de doutorado sobre o tema. "Descrever o ciclo do parasita nos dá ferramentas para chegarmos a testes de diagnóstico mais precisos".

Sabia-se que as larvas do Ascocotyle (Phagicola) estavam nas tainhas. Mas o primeiro hospedeiro intermediário - um molusco - ainda era desconhecido. A pesquisa orientada por Cláudia chegou ao Heleobia australis. A tainha é um peixe marinho, que entra nas lagoas e estuários (braço do mar, que desemboca num rio). É ali que tem contato com o molusco, que vive na água salobra.

"As primeiras larvas que se desenvolvem saem do molusco e penetram na tainha. Elas são muito pequenas; é difícil percebê-las. Se o peixe é cozido, frito, não tem problema; o cozimento matou tudo. Mas quando faz o prato cru ou mal cozido, aí você pode estar se infestando com esse parasita", explicou Cláudia. As larvas encontram-se em diferentes partes do peixe; no filé há grande concentração.

Cláudia disse que o estudo não pretende levantar bandeira contra sushis e sashimis. "É só um alerta, mas a parasitose está aí, contaminando fortemente. Não se tinha tanto conhecimento da parasitose no Brasil, porque não se comia tanta comida japonesa. Também existem as famosas festas da tainha no Sul do País, onde se comem as tainhas de todas as maneiras. O ideal é comer o peixe cozido", afirmou.