Perto da volta às aulas, Europa teme nova onda de gripe suína

Revista médica inglesa recomendou que as escolas continuassem fechadas, mas governo manteve o calendário

Gabriel Bueno, da Agência Estado,

24 Agosto 2009 | 10h20

Milhões de crianças voltarão às aulas em toda a Europa nas próximas semanas, apesar do medo de que isso gere uma nova onda de gripe suína no continente. Na Grã-Bretanha, país europeu mais afetado pelo vírus, o respeitado periódico médico The Lancet recomendou que as escolas permaneçam fechadas após as férias de verão, para interromper a proliferação do vírus no clima mais frio, segundo a agência Dow Jones.

 

O governo britânico, porém, decidiu que há provas insuficientes de que atrasar o período letivo ajude a diminuir o número de casos. "O conselho é para (a escola) permanecer aberta e garantir que as crianças doentes permaneçam longe das escolas", afirmou um porta-voz do Departamento de Crianças, Escolas e Famílias. "Há uma exceção para crianças com necessidades especiais, que podem ter problemas de saúde não aparentes."

 

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Em agosto, houve uma forte queda no número de ocorrências da gripe suína na Grã-Bretanha, com 11 mil novos casos por semana, em média. Mais de 50 pessoas já morreram após contraírem a doença no país, a maioria com doenças preexistentes.

Vários especialistas apontam que a queda no número de infecções ocorreu pelo fechamento das escolas no verão. Com as férias, reduziu a concentração de crianças fechadas em salas pequenas, tossindo e espirrando perto umas das outras.

 

Alguns médicos temem que a volta das crianças às salas de aula, em um clima mais frio, possa levar o vírus a retomar força. "Não há modo mais fácil de facilitar a proliferação da gripe suína que permitir às crianças se relacionarem nas escolas", afirmou David Price, professor de medicina respiratória na University de Aberdeen, na Escócia, e conselheiro do governo.

 

Price apontou que, caso já houvesse uma vacina disponível, "seria uma questão diferente". No contexto atual, porém, seria "um risco desnecessário".

Apesar desses temores, outros países da União Europeia terão a mesma postura que a Grã-Bretanha, mantendo as escolas abertas. Um relatório do Comitê de Segurança da Saúde, que reúne especialistas dos 27 Estados-membros, afirma que houve unanimidade em relação à abertura das escolas.

 

O texto nota, porém, que fechar alguma escola específica após o registro de casos entre estudantes "é benéfico para retardar a transmissão do vírus".

Na Grã-Bretanha, outras pessoas também advertiram sobre o desastroso efeito econômico do fechamento das escolas, pelo custo gerado para os pais deixarem suas crianças com alguém.

 

O sindicato dos professores da Grã-Bretanha enviou uma carta ao Ministro das Escolas, Ed Balls, pedindo prioridade para esses profissionais na vacinação, assim que o produto for disponibilizado, nas próximas semanas. Sob as atuais regras, porém, a prioridade é para pessoas já doentes e mulheres grávidas.

 

Corrida pela vacina

 

Mais de 20 companhias farmacêuticas correm contra o tempo para testar, produzir e enviar mais de um bilhão de doses de vacina para a gripe suína.

 

A Organização Mundial de Saúde (OMS) informou que 25 empresas já anunciaram a intenção de produzir as vacinas. Cinco delas representam mais de 80% da produção: Sanofi-Pasteur S.A., na França, AstraZeneca PLC e GlaxoSmithKline na Grã-Bretanha, Baxter International nos Estados Unidos e o grupo suíço Novartis.

 

As farmacêuticas prometem que uma quantidade considerável de vacina será entregue em cinco semanas. A GlaxoSmithKline, por exemplo, planeja começar as entregas no fim de setembro. A Sanofi-Pasteur, em novembro ou dezembro. Laboratórios parceiros da OMS trabalham para desenvolver novas linhagens do vírus, o que poderia facilitar o trabalho de produção das vacinas.

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