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Estudo aponta possível relação entre zika e outra má-formação

Além de microcefalia, vírus pode ser responsável pela artrogripose em bebês, que se caracteriza por deficiências nas articulações

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Lígia Formenti,
O Estado de S. Paulo

13 Janeiro 2016 | 20h06

BRASÍLIA - Microcefalia talvez não seja a única consequência da infecção pelo zika vírus nos bebês durante a gestação. Um estudo publicado na revista Ultrasound in Obstetrics & Ginecology de Adriana Melo, diretora do Instituto de Pesquisa Professor Joaquim Amorim Neto, e de Ana Bispo, do Instituto Oswaldo Cruz, relata a ocorrência de dois casos em que, além de microcefalia, vítimas apresentavam uma outra má-formação rara, a artrogripose, uma doença que se caracteriza por graves deficiências nas articulações. “Em toda minha vida havia visto dois casos. Desde setembro, foram outros quatro. Vi que havia algo errado”, conta Adriana.

Dois dos casos se tratavam de bebês que morreram pouco depois de nascer. Em outros dois casos, são fetos. Todos tiveram diagnóstico de microcefalia. “Em dois casos (um bebê que faleceu e um feto)  já tivemos a confirmação da infecção por zika. Esperamos agora resultados de outros dois”, completou.

A pesquisadora afirma não ser possível afirmar se a artrogripose é consequência da infecção por zika. “É cedo para atribuirmos causa e consequência. Claro que é preciso aguardar mais casos para fazer uma afirmação mais categórica. Mas o importante é que todos os profissionais fiquem alertas”, completou.

Adriana observou que, além de problemas nas articulações, há um caso, que está ainda em investigação, de problemas cardíacos. O professor da Universidade Federal de Pernambuco, Carlos Brito, afirma que no Estado também há relatos de casos de crianças com problemas na articulação cujas mães tiveram, durante a gestação, queixas de sintomas semelhantes aos de zika. “Precisamos ficar atentos. Há casos de problemas oculares, relatos de problemas auditivos”, completou.

Tanto Adriana quanto Brito defendem uma mudança no tratamento da doença. Zika congênita em vez de microcefalia provocada por zika. “É o mesmo que ocorre com outras síndromes, como sífilis congênita”, diz o professor. “Talvez microcefalia seja o sintoma mais importante, mas não o único. A mudança da denominação ajudaria profissionais a ter isso em mente”, completou Brito.

Adriana afirma que a microcefalia identificada em bebês cujas mães apresentaram zika durante a gestação tem características bem diferentes das apresentadas pela microcefalia clássica, uma doença considerada rara. “Os casos são mais graves. Há um comprometimento maior do cérebro”, afirma Adriana.

 

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