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Estudo detecta anti-inflamatório em saliva do 'Aedes'

- Atualizado: 07 Março 2016 | 19h 52

Inimigo número 1 da saúde, mosquito pode ter lado benéfico

O mosquito Aedes aegypti transmite dengue, zika e chikungunya

O mosquito Aedes aegypti transmite dengue, zika e chikungunya

SOROCABA - O mosquito Aedes aegypti, atual inimigo número um da saúde no País por transmitir dengue, febre chikungunya e vírus zika, também pode ter um lado benéfico. Pesquisadores da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo (USP) de Ribeirão Preto, interior paulista, encontraram substâncias anti-inflamatórias na saliva do inseto capazes de controlar sintomas de doenças intestinais, como a doença de Crohn e a colite ulcerativa.

Os testes positivos foram feitos em camundongos, mas a expectativa é de que se repitam em seres humanos - próxima fase da pesquisa. O estudo começou há quatro anos, a partir da observação de que o mosquito anestesia a pele do hospedeiro ao picá-lo para se alimentar de sangue. Ao estudar os componentes da saliva, os pesquisadores chegaram aos elementos anti-inflamatórios.

De acordo com a pesquisadora Cristina Ribeiro de Barros Cardoso, coordenadora da equipe, foram usados nos testes mosquitos sem infecção por qualquer tipo de vírus. O material extraído das glândulas salivares foi aplicado em camundongos que tiveram a colite ulcerativa e a doença de Crohn induzidas. “Logo nas primeiras aplicações notamos a melhora dos sintomas e, ao final, a doença foi totalmente inibida.” 

Apesar de ressaltarem que os estudos continuam e é cedo para falar em terapêutica para humanos, os pesquisadores estão otimistas. Além das respostas positivas, chamou a atenção o fato de o extrato da saliva não ter sido tóxico para as células do corpo tratado. Os efeitos colaterais são problema nos medicamentos para a colite e outras enfermidades intestinais. De acordo com a pesquisadora, ainda são necessários testes pré-clínicos específicos para confirmar que o extrato salivar do mosquito pode ser usado com segurança em seres humanos.

Zika. Em Sumaré, foi confirmado no fim de semana o primeiro caso de zika vírus em gestante. A paciente está na 13.a semana de gravidez, mas o bebê não apresentou alteração relacionada com a microcefalia. Ainda está em investigação se a contaminação aconteceu na própria cidade. É o segundo caso de contaminação pelo vírus no município, mas o anterior envolveu um homem de 52 anos.

Dengue. O promotor de Justiça da Saúde de Presidente Prudente, Mário Coimbra, afirmou nesta segunda-feira, 7, que a cidade pode ter chegado a vinte mortes por dengue este ano, o que ele considera uma “catástrofe sem precedentes”. Segundo ele, os números não são oficiais, mas podem ser confirmados nas próximas semanas, já que os resultados oficiais demoram para sair. 

Ele disse que o Ministério Público considera que as mortes eram evitáveis e que os gestores públicos serão responsabilizados. A prefeitura de Presidente Prudente informou que não se manifestaria sobre as afirmações do promotor. Em boletim divulgado no dia 29 de fevereiro, a prefeitura informou que a cidade tem 3.273 casos confirmados e outras 5.076 notificações de dengue. Para a prefeitura, oficialmente são cinco mortes confirmadas e quatro em investigação.

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