Pesquisa nos EUA dobra número de mortes por malária no mundo

Doença causou mais de 1,2 milhão de mortes em 2010; OMS aponta 655 mil óbitos

Efe,

03 Fevereiro 2012 | 07h44

 A malária causou 1,2 milhão de mortes em 2010, quase o dobro do estimado no último relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS), o que dificulta ainda mais o objetivo de erradicar esta doença até 2015.

Estes dados estão contidos em um estudo do Institute for Health Metrics and Evaluation (IHME) da Universidade de Washington que foi divulgado pela revista científica "The Lancet".

Segundo a OMS, em 2010 houve 655 mil mortes por malária, que é transmitida pela picada de um mosquito, sendo que 91% dos casos ocorreram na África e 86% tiveram como vítimas crianças com menos de cinco anos.

Agora, os pesquisadores do IHME afirmam que esses números não levaram em conta muitas das 78 mil crianças de entre 5 e 14 anos e das 445 mil pessoas de mais de 15 anos mortas por este motivo em 2010, a maioria na África.

Os especialistas do IHME recolheram informações entre 1980 e 2010 sobre mortes por malária em 105 países onde a doença é endêmica, incluindo dados dos registros de hospitais, dos atestados de óbito e, sobretudo, de relatórios verbais de autópsias - não utilizados no relatório da OMS.

"Acreditamos que estes são os cálculos mais confiáveis até o momento sobre a tendência da malária em nível mundial", declarou o Dr. Christopher Murray, diretor do IHME e autor principal do estudo.

Diante destes resultados, são "pouco realistas" as tentativas de erradicar os casos de malária até 2015, assinalou Murray, que, no entanto, estimou que "é possível" reduzi-los "a níveis muito baixos se houver uma mudança de estratégia" que leve em conta também os adultos.

O estudo do IHME concorda com o da OMS ao estimar que a partir de um pico alcançado em 2004 houve uma drástica queda das mortes por malária no mundo.

A nova pesquisa calcula esse descenso em 32%, contra 19% da OMS, e o atribui às cada vez maiores medidas de controle, entre elas inseticidas e remédios.

Segundo um porta-voz da Universidade de Washington, William Heisel, essa diminuição foi muito notável na América Latina, onde o número de mortes baixou de 2.697 em 1980 para 316 em 2010.

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