Pesquisa vai mapear atendimento de doenças cardíacas no País

Objetivo é traçar um perfil dos pacientes e avaliar como é feito o atendimento em ambulatórios e hospitais

Agência Brasil

29 Julho 2010 | 11h24

SÃO PAULO - A Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) e o Hospital do Coração (HCor) assinaram um acordo na última quarta-feira, em São Paulo, para fazer um mapeamento das doenças cardíacas no País.

O objetivo é traçar o perfil das pessoas que têm ou podem desenvolver uma doença cardíaca e avaliar como é feito o atendimento delas nos ambulatórios e hospitais do Brasil.

O resultado do mapeamento, que será dividido em dois estudos - um para avaliar as síndromes coronarianas agudas e o outro, a prevenção das doenças cardíacas - será divulgado no Congresso da Sociedade Brasileira de Cardiologia, no segundo semestre de 2011.

“Os registros serão a fotografia do real. Vamos saber o que realmente ocorre na ponta dos atendimentos do País, porque sabemos o que deveria ser feito, mas temos a certeza de que o atendimento é muito diferente do que acreditamos ser o ideal”, disse o presidente da SBC, Jorge Ilha Guimarães.

Segundo ele, cerca de 315 mil pessoas morreram no Brasil, no ano passado, de doenças cardíacas. Do total, 75 mil casos foram por infarto. “Esse número é crescente. Não estamos ganhando a guerra, estamos perdendo. Ano a ano, morre mais gente de doença cardiovascular no Brasil”, afirmou Guimarães.

Um dos objetivos da pesquisa, de acordo com o presidente da SBC, é entender por que há tanta diferença entre os índices de morte por infarto em um hospital considerado de ponta (que gira em torno de 6%) e o restante do País (16%), por exemplo. Esses dados também poderão ajudar o governo a elaborar políticas públicas de saúde e tratamento e a criar campanhas educativas de prevenção.

“Com o crescimento econômico do País, com a posição de liderança que vem ocupando, o Brasil tem que prover dados da mais alta qualidade. E hoje temos um problema de saúde pública gigante, que é o infarto do miocárdio. A única forma de mudarmos esse cenário é justamente atuando no melhor atendimento do paciente que chega na emergência, como também de quem é atendido e faz sua prevenção”, disse o coordenador do Instituto de Ensino e Pesquisa do Hospital do Coração, Otávio Berwanger.

De acordo com ele, a evolução do infarto é causada principalmente pela falência do coração, também chamada de insuficiência cardíaca. E, no Brasil, a principal causa de internação por doença é justamente a insuficiência cardíaca. “Atuando no infarto precocemente e fazendo a prevenção no ambulatório, a gente evita que haja mais casos de insuficiência cardíaca.”

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