Paul Sakuma/AP
Paul Sakuma/AP

Pílula diária ajuda a impedir infecção por HIV em homens

Equipe internacional estudou 2.499 gays, bissexuais e transgêneros com perfil de alto risco

MAGGIE FOX, REUTERS

23 Novembro 2010 | 13h22

Um comprimido que é tomado uma vez por dia e que reúne duas drogas anti-Aids da Gilead Sciences reduziu em quase 44% o risco de contaminação por HIV em homens gays e bissexuais com perfil de alto risco, relataram pesquisadores nesta terça-feira.  

 

Veja também:

link Vaticano amplia autorização a camisinha para combater Aids

link Grupo de sete países, Brasil à frente, cria variação de medicamento antiaids

 

 

  Os homens que tomaram a pílula tiveram consistentemente um risco de contaminação 70% mais baixo ao longo de dois anos, revelou o estudo. O estudo envolveu 2.499 pessoas em cinco países - 350 delas no Brasil, recrutadas pela USP, Fiocruz e UFRJ. Mas quando os pesquisadores analisaram os exames de sangue que identificam o medicamento no organismo por 14 dias - ou seja, daqueles que comprovadamente tomaram o remédio, e não apenas se inscreveram na pesquisa -, essa redução atingiu 92%.  

 

 Ao restringir ainda mais a análise, aos pacientes que relataram terem feito sexo anal desprotegido, a diminuição foi de 94,9%. Por três anos, metade dos voluntários recebeu um comprimido diário que combina os antirretrovirais tenofovir e emtricitabina (este ainda sem registro no Brasil).  

 

Os voluntários são homens que fazem sexo com homens, com comportamento de risco (parceiros múltiplos e sem preservativos). "Esse resultado é um divisor de águas na epidemia de HIV. É o mais eficaz tratamento já descrito se usado dessa forma", afirmou o coordenador do Projeto Praça Onze, da UFRJ, Mauro Schechter. 

Este é o primeiro estudo a mostrar que tomar medicamentos antes da infecção pode reduzir o risco de transmissão do HIV e tem o potencial de ser uma arma na luta contra o vírus fatal e incurável, disseram os pesquisadores.

É o terceiro avanço recente nas pesquisas sobre prevenção da Aids, meses após um estudo divulgado em julho ter mostrado que um gel pode ajudar a proteger mulheres contra o vírus e outro estudo do ano passado ter divulgado uma vacina que exerce efeito parcialmente protetor.

"Estes resultados representam um avanço importante nas pesquisas de prevenção do HIV", disse Kevin Fenton, dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA, em comunicado.

O estudo  

 

 A equipe internacional de cientistas estudou 2.499 homens gays, bissexuais e transgêneros com perfil de alto risco de infecção pelo vírus causador da Aids. Metade deles tomou o comprimido Truvada, que contém as drogas tenofovir e entricitabina, e metade tomou um placebo.

Após dois anos e meio, cem dos homens estavam contaminados pelo vírus da imunodeficiência humana, causador da Aids -- 36 que tomaram o Truvada e 64 dos que tomaram um placebo.

"Isso significa que a ingestão diária do Truvada reduziu o risco de contaminação pelo HIV em 43,8 por cento", disse Anthony Fauci, diretor do Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecciosas dos EUA, que financiou o estudo.

 

(com Clarissa Thomé, de O Estado de S. Paulo)

Mais conteúdo sobre:
AIDS PILULA REDUZ INFECCAO*

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.