Plano de enfrentamento a drogas terá R$ 410 milhões em 2010

Ações têm sido prejudicadas pelo fato de o País não ter dados estatísticos sobre o consumo de crack

Agência Brasil

05 Julho 2010 | 18h30

BRASÍLIA - O governo federal destinará R$ 410 milhões para as ações imediatas previstas no Plano Integrado de Enfrentamento ao Crack e Outras Drogas em 2010. De acordo com a secretária nacional de Políticas sobre Drogas (Senad), Paulina Duarte, essas ações têm sido prejudicadas pelo fato de o País não ter ainda dados estatísticos concluídos sobre o consumo de crack.

"Infelizmente, não tempos conhecimento real e específico sobre o consumo de crack no Brasil. Os que são mostrados pela imprensa são apenas especulação, porque não há ainda nenhum estudo de âmbito nacional finalizado", disse a secretária nesta segunda-feira, 5, durante o seminário internacional Políticas sobre Drogas, na Câmara dos Deputados.

Segundo ela, a Senad ainda está concluindo dois estudos sobre o assunto - um apresentando dados epidemiológicos e outro com dados geográficos. “O que sabemos é que o crack, antes consumido nas periferias das grandes cidades, apareceu surpreendentemente em municípios pobres e na zona rural”, disse Paulina.

"A pedido do presidente Lula, em 2010 serão aplicados R$ 410 milhões em ações imediatas, por meio dos ministérios envolvidos no plano. Desse valor, R$ 120 milhões vão para o Ministério da Justiça trabalhar no enfrentamento ao tráfico, R$ 100 milhões para o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome usar nas ações de reinserção social e R$ 90 milhões exclusivamente para o Ministério da Saúde dobrar o número de leitos para internamento", informou a secretária.

Os R$ 100 milhões destinados à Senad serão aplicados em ações de prevenção e coordenação com os demais ministérios. "Essas verbas serão aplicadas também em uma campanha de mobilização social e em ações permanentes por todo o país, envolvendo profissionais e veículos de comunicação", acrescentou.

Paulina explicou que, em agosto, terá início a capacitação de mais de 10 mil profissionais que trabalham nas áreas de saúde e educação, além de lideranças comunitárias. "A área de educação é prioritária em termos de prevenção", disse. O seminário internacional Políticas sobre Drogas é promovido pela Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados. Ele reúne até esta terça-feira, 6, no auditório Nereu Ramos, autoridades sul-americanas e europeias, que apresentarão as experiências de seus países na política sobre drogas.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.