Planos de saúde vão aumentar 6,76%

Reajuste supera inflação e deve afetar mais de 6 milhões de clientes

Carolina Dall’Olio, do Jornal da Tarde,

24 Abril 2009 | 21h57

Os preços dos planos de saúde individuais ou familiares, contratados a partir de 1999, vão sofrer reajuste de 6,76% na próxima data de aniversário do contrato. O aumento, autorizado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), é o maior desde 2006 e supera a inflação acumulada nos últimos 12 meses (que ficou em 5,61% pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo - IPCA).

 

Para calcular o índice, a ANS se baseou nos reajustes aplicados aos planos coletivos. Porém, neste ano, a agência argumenta que teve de incluir novos elementos no cálculo - já que o rol de procedimentos obrigatórios foi ampliado no ano passado. Sendo assim, o reajuste que era estimado em 5,6% subiu para 6,76%.

 

Fausto Pereira dos Santos, diretor-presidente da ANS, diz que, ao avaliar o aumento, não se pode desconsiderar os benefícios que o novo rol de procedimentos trouxe aos conveniados. "Procedimentos importantes como vasectomia, laqueadura ou exames de genética e profissionais como fonoaudiólogo, nutricionista e terapeuta ocupacional hoje estão incorporados à cobertura assistencial mínima", avalia Santos. Ele informa que, caso não tivesse havido o acréscimo dos novos procedimentos no cálculo do reajuste, o aumento seria correspondente apenas à inflação do período.

 

Daniela Trettel, advogada do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), critica a fórmula utilizada para o cálculo da ANS. "Ela faz com que o preço dos planos suba acima da capacidade de pagamento dos consumidores", avalia. "Ao partir de uma premissa inadequada - a de que nos contratos coletivos os valores são reajustados após uma negociação justa entre operadores e consumidores - a ANS acaba trazendo para os planos individuais e familiares os mesmos problemas dos aumentos dos planos coletivos". A saída, segundo Daniela, seria que os reajustes considerassem as diferenças regionais e os custos efetivos das operadoras.

 

Enquanto consumidores reclamam do aumento, as operadoras acham que foi pouco. A Associação Brasileira de Medicina de Grupo (Abramge) reivindicava um reajuste entre 8,77% e 10,52%. Em nota, a entidade justificava o pedido pela "oscilação da economia com a crise mundial, ampliação da cobertura obrigatória de atendimento e seu impacto nos custos, alta do dólar e, consequentemente, dos medicamentos e de outros insumos que têm preços atrelados à moeda americana". Pelos mesmos motivos, a Federação Nacional de Saúde Suplementar (Fenasaúde) pleiteava um alta de 12% nos preços.

 

Os usuários que tiverem dúvidas podem ligar para a ANS no 0800 701 9656 ou acessar www.ans.gov.br.

Mais conteúdo sobre:
Planos de saúde

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.