USDA/Divulgação
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PMs de folga vão combater criadouros de mosquito da dengue

Medida faz parte de plano de enfrentamento a doenças causadas pelo inseto, que prevê ainda investimento de R$ 50 milhões

Fabiana Cambricoli, O Estado de S.Paulo

07 Dezembro 2015 | 17h28

SÃO PAULO - O governador Geraldo Alckmin (PSDB) anunciou nesta segunda-feira, 7, que policiais militares de folga poderão atuar no combate aos criadouros do mosquito Aedes aegypti no próximo verão por meio de “bicos extras” oferecidos pelo governo do Estado. A iniciativa, conhecida como Operação Delegada, faz parte do plano estadual de enfrentamento à dengue, chikungunya e zika.

“Além de a PM ajudar na parte de saúde, com médicos e enfermeiros, estamos procurando fazer uma Dejen (Diária Extraordinária para Jornada Especial) para ter um número de policiais militares a mais fora do seu horário para poder ajudar nesse trabalho”, disse Alckmin durante coletiva de imprensa de anúncio do plano.

De acordo com a assessoria do governador, serão mil vagas abertas para esse tipo de serviço. Detalhes como distribuição dos policiais por município e data de início da operação ainda estão sendo definidos.

Conforme adiantado pelo Estado no sábado, o governo estadual utilizará policiais militares e agentes da Defesa Civil no combate aos criadouros e oferecerá teste de zika para as gestantes paulistas.

Também foi anunciada a criação de um fundo de R$ 50 milhões para custear ações de enfrentamento a epidemias dessas doenças, como a oferta dos testes para gestantes e mais recursos para ações de combate ao vetor.

Alckmin não descartou a criação de legislação estadual similar a de alguns municípios que autoriza a entrada forçada de agentes nos imóveis fechados ou cujos moradores se recusarem a abrir as portas. “Se houver necessidade, pela abrangência da questão epidemiológica, poderemos, sim, preparar uma lei estadual, mas talvez não haja necessidade”, disse. A assessoria do governador disse que a Procuradoria-Geral do Estado está avaliando a viabilidade da medida.

Microcefalia. O secretário estadual da Saúde, David Uip, disse que ainda não há no Estado casos confirmados de microcefalia relacionados ao zika vírus e não informou o número de registros do tipo em investigação. Como revelado pelo Estado, um bebê nascido há um mês em Guarulhos pode ser o primeiro caso de microcefalia causado por zika cuja gestante teria sido contaminada em território paulista. A mulher mora em Guarulhos e não tem histórico de viagem ao Nordeste.

O secretário disse que, embora não haja confirmação de nenhum caso, é uma questão de tempo para o problema chegar à São Paulo. "Posso afirmar a vocês que vamos ter casos de zika aqui em São Paulo. Posso afirmar que teremos microcefalia causada pelo vírus zika em São Paulo, senão não estaríamos aqui apresentando um plano", disse.

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