Polícia conclui que houve omissão de socorro em hospital da zona leste de São Paulo

Para delegado, vídeo que mostra vigilante agonizando no chão é prova incontestável; paciente morreu

Fabiana Cambricoli, O Estado de S.Paulo

21 Julho 2014 | 15h05

SÃO PAULO - A Polícia Civil já tem certeza de que houve omissão de socorro em um hospital particular da zona leste de São Paulo, na última quarta-feira, 16, que deixou de atender um vigilante morto após ficar sem atendimento na unidade.

Segundo José Francisco Rodrigues Filho, delegado-titular do 53.º DP (Parque do Carmo), embora a investigação ainda esteja em andamento, "é incontestável" que houve omissão por parte dos funcionários do Hospital Santo Expedito, em Itaquera."Temos a prova do vídeo, que é inequívoca", disse ele ao Estado, nesta segunda-feira, 21.

O vídeo mencionado pelo delegado foi gravado por uma testemunha e mostra o vigilante Nelson França, de 48 anos, agonizando no chão do estacionamento da unidade e pedindo socorro, sem que nenhum médico ou enfermeiro o atenda. O paciente foi socorrido após o hospital chamar o Corpo dos Bombeiros, que levou França até um hospital municipal da região, onde a vítima já chegou morta.

Segundo as imagens, dois funcionários da unidade foram até o estacionamento da unidade, observaram o paciente agonizando, mas nada fizeram. O vídeo é uma das provas usadas pela Polícia Civil para comprovar o crime.

De acordo com o delegado, os dois funcionários que aparecem nas imagens deverão ser indiciados. a identidade deles não foi divulgada. A polícia ainda investiga, porém, se outras pessoas, entre eles membros da direção do hospital, serão responsabilizados. "Ainda temos que colher mais depoimentos e esperar o laudo do IML sobre a causa da morte. Só então poderemos dizer se a omissão foi individual ou funcional", diz ele.

Quando resulta em morte, o crime de omissão de socorro tem pena que pode variar de 4 a 12 anos de reclusão.

Procurado nesta segunda, o Hospital Santo Expedito voltou a divulgar a mesma nota já enviada quando o caso foi divulgado, no sábado. No texto, a direção da unidade afirma que abriu sindicância para apurar o ocorrido e que "caso seja apurada a responsabilidade de algum profissional, não hesitará em punir com rigor os eventuais envolvidos".

A direção do hospital disse ainda que "não corrobora de forma alguma com qualquer tipo de omissão de seus profissionais" e destacou que nunca deixou de atender pacientes em estado grave, mesmo quando eles não tinham plano de saúde.

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