Poluição do ar piora doença respiratória e aumenta infecção, diz Unifesp

Levantamento analisou, por três anos, 177.325 casos do Hospital SP; 77,5% tinham problema

estadão.com.br

27 Outubro 2010 | 16h38

SÃO PAULO - Uma pesquisa realizada pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) comprova que o acúmulo de partículas e gases nocivos lançados na atmosfera estão provocando doenças respiratórias pré-existentes e podem aumentar o índice de infecções das vias aéreas superiores e pneumonia nos paulistanos, em diferentes faixas etárias.

O objetivo do estudo foi avaliar a relação entre a concentração diária dos poluentes atmosféricos emitidos pela frota automotiva na cidade de São Paulo e o número de consultas diárias realizadas no serviço de emergência do Hospital São Paulo, ligado à Unifesp e localizado na Vila Clementino, zona sul da capital.

Durante três anos, o levantamento analisou 177.325 casos. A grande maioria (137.530 atendimentos, ou 77,5%) foi por doenças respiratórias. Os dados foram fornecidos pelo Serviço de Arquivo Médico e Estatísticos (Same) da Unifesp, ligado ao Hospital São Paulo.

Desse total, 72% das ocorrências eram infecções de vias aéreas superiores (sinusite, faringite, nasofaringites e amidaglite), 12% eram influenza (gripes em geral), 9%, pneumonia e 7%, asma.

O maior grupo atendido no serviço de emergência foram os menores de 13 anos, seguidos por adultos de 40 a 65 anos; de 30 a 39; maiores de 65; e de 13 a 19. Foi significativa a associação do aumento da concentração dos poluentes com a gripe influenza entre adolescentes de 13 a 19 anos e em idosos acima de 65.

Em relação à asma, os resultados mais impactantes aparecerem entre pessoas de 30 a 39 anos e também entre as de 40 a 65. O excesso de material nocivo no ar também se associou significativamente com admissões por pneumonia nas idades de 40 a 65 anos e em maiores de 65.

"O tempo seco e a baixa umidade relativa do ar permitem que os poluentes permaneçam mais tempo em suspensão, um fator aditivo que contribui para causar desconforto respiratório na população. A melhor forma de manter as mucosas úmidas é por meio da ingestão de líquidos. É aconselhável evitar exercícios físicos entre 10h e 16h, cuidado que deve ser redobrado com os idosos e crianças pequenas. Usar toalhas úmidas e bacias com água em ambientes fechados pode evitar a desidratação mais acentuada das mucosas. O nariz é o órgão designado para aquecer e umidificar o ar, portanto deve-se sempre priorizar a respiração por meio dele. Se ele estiver obstruído, é necessário buscar auxílio médico para identificar a causa e tratá-la", recomenda a pesquisadora Silvia Letícia Santiago.

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