Por causa de Ebola, EUA recomendam evitar viagens à África

Centros para Prevenção de Doenças sugeriram evitar visitas à Guiné, Libéria e Serra Leoa; plano de fechar embaixadas foi negado

Jamil Chade, O Estado de S. Paulo

31 Julho 2014 | 23h14

GENEBRA - As autoridades sanitárias americanas recomendaram na noite desta quinta-feira, 31, evitar viagens para a África Ocidental, enquanto ocorrer o surto de Ebola. Os Centros para Prevenção de Doenças (CDC, em inglês) sugeriram literalmente “evitar visitas a Guiné, Libéria e Serra Leoa”. Conforme o diretor Tom Frieden, há “risco potencial”. Mas o Departamento de Estado negou à noite qualquer plano de fechar embaixadas ou reduzir pessoal em áreas afetadas.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Organização da Aviação Civil Internacional (Icao) se reuniram nesta quinta para examinar algum tipo de controle sobre passageiros das áreas afetadas. Por enquanto, porém, não existe uma recomendação para que turistas deixem de viajar para o oeste da África.

A empresa aérea ASKA, do Togo, interrompeu seus voos para os países afetados e a Ethiopia Airlines anunciou “medidas extraordinárias” como monitoramento de voos e treinamento da equipe para evitar contato físico com passageiros. 

Em Hong Kong, o governo anunciou que colocaria de quarentena qualquer pessoa que desembarcasse da Guiné, Libéria ou Serra Leoa, enquanto o Japão mandou alertas aos hospitais. Na Europa, o governo do Reino Unido se reuniu para debater a ameaça, enquanto o governo francês emitiu mensagens de que o país está preparado para lidar com a doença. 

Surto. O vírus do Ebola continua a se espalhar e já são 729 mortes no maior surto da doença já registrado. Dados da OMS apontam que, entre 24 e 27 de julho, 122 novos casos foram identificados, com 57 mortes em 4 dias na Guiné, Libéria, Nigéria e Serra Leoa.

A progressão do vírus obrigou governos africanos a fechar suas fronteiras e apertar o controle em aeroportos do continente, como no Quênia. Na Europa, autoridades admitem que estão preocupadas com uma eventual migração do vírus.

A OMS apelou para um esforço coordenado dos governos africanos para lidar com o problema. “Nenhum país pode controlar mais a doença sozinho”, alertou o presidente de Serra Leoa, Ernest Bai Koroma. Ontem, foi enterrado no país o médico Umar Khan, considerado herói nacional por tratar de pacientes contaminados com o Ebola. Ele morreu em uma semana após ser diagnosticado com a doença. 

Migração. Além dos 729 casos confirmados pela OMS, a entidade também registrou um caso suspeito no dia 29 de julho na Nigéria. As 59 pessoas que tiveram contato com o paciente, um americano, também já foram identificadas. O americano viajou em um voo no dia 20 de julho entre Lomé, no Togo, e Acra, em Gana. / COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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