Portadores do vírus HIV contam como encaram a doença no dia a dia

Jovens e adultos revelam como encaram o vírus, o preconceito e a relação com as pessoas

Agência Brasil

01 Dezembro 2010 | 20h27

BRASÍLIA - Para marcar o Dia Mundial de Luta Contra a Aids, pessoas que vivem com o vírus HIV relataram à Agência Brasil suas experiências. Nas conversas, elas contam como encaram a doença, a relação com a família e os amigos e a questão do preconceito.

É o caso da estudante Nelma Borges, de 17 anos, que vive com o vírus desde que nasceu, transmitido pela mãe durante a gravidez. Ela diz que a aids não a assusta, mas que nem sempre foi assim. “Quando criança, era difícil. Para mim, a vida tinha acabado. A partir do momento em que aprendi a entender o que era, como era, comecei a ver a vida de forma mais tranquila”, disse a jovem, moradora do Distrito Federal (DF).

Nelma conta que lidou com o preconceito na escola e nas relações pessoais. “Quem andava comigo tinha bastante [preconceito]. Alguns namoradinhos também. Na escola, convivi com um colega que tinha [a doença]. Quanto à família, não sofri nenhuma discriminação. Os amigos de verdade nunca deixaram de conviver comigo por causa disso”, revela.

Assim como Nelma, CF*, de 18 anos, contraiu o vírus por transmissão vertical (de mãe para filho). Aos 13 anos, descobriu a doença. Por decisão da família adotiva, ele revelou sua sorologia positiva apenas a pessoas próximas. Também morador do DF, CF admite que não enfrentou preconceito, porém conhece quem já passou pela situação. “Nunca sofri, mas sei de pessoas que tiveram de mudar de escola”, afirma. Sobre o futuro, o jovem diz que os projetos de vida continuam os mesmos e que a aids é apenas “um detalhe a mais para ser cuidado”.

Aos 43 anos, o servidor público aposentado Edson dos Santos, de Santo André (SP), fala com tranquilidade sobre a doença com a qual convive desde 1997. A descoberta foi por acaso, quando fez exame para detectar uma tuberculose. “O médico ficou sem graça de me dar o resultado. Eu mesmo falei que nem era preciso pedir uma segunda amostra. Não tive a sensação de que iria morrer”, disse Edson, que contraiu a doença por sexo sem preservativo.

Como agente administrativo, Edson exerceu a função até 2006, quando foi obrigado a se aposentar devido à saúde debilitada - teve seis tuberculoses e ficou em coma cerebral. Atualmente, é ativista do Movimento de Prevenção à Tuberculose e da Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV/Aids.

Para ele, o apoio familiar e dos amigos foi importante para lidar com a doença e impedir que fosse vítima de qualquer tipo de preconceito. “Quando falei para minha mãe que tinha aids, ela disse que eu não era o primeiro nem o último. Nunca permiti que me discriminassem. Temos de encarar [o problema] e mostrar que estamos vivendo”, relata.

Na opinião do contador Júlio Rodrigues, de 46 anos, os portadores de HIV não devem esconder o vírus da sociedade e dos parentes. Outra sugestão dada por ele é a busca de conhecimento sobre a doença, atitude que tomou há dez anos quando recebeu o diagnóstico. “Naquela época, não tinha informação nenhuma. Tive de procurar informações, li bastante”, diz o coordenador da Associação Katiró, organização de apoio a portadores do vírus HIV em Manaus (AM).

* Iniciais fictícias para preservar a identidade do entrevistado

Mais conteúdo sobre:
aids HIV

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.