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Prefeito institui dia de jejum municipal contra 'praga' do Aedes aegypti

Erick Marcus disse que se inspirou em grandes figuras bíblicas que fizeram jejum antes de enfrentar grandes desafios

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José Maria Tomazela,
O Estado de S. Paulo

24 Fevereiro 2016 | 18h58

O prefeito de Goiandira (GO), Erick Marcus (PTB), instituiu o “Dia de Jejum Municipal” contra a dengue na cidade goiana por considerar a infestação pelo mosquito Aedes aegypti tão grave quanto as pragas que assolaram o Egito antigo no tempo dos faraós. “O Aedes não é só a dengue, é também a chikungunya e a microcefalia, que torna uma pessoa um vegetal pelo resto da vida”, disse ao Estado.

Marcus baixou um decreto no dia 19 de fevereiro conclamando a população e os líderes religiosos a “clamar a Deus por livramento e misericórdia”, fazendo jejum das 6 às 12 da última segunda-feira, 22 contra a infestação do mosquito na cidade. Segundo ele, desde o ano passado, o município registrou mais de 600 casos de dengue.

Evangélico, o prefeito considera a infestação pelo Aedes no Brasil muito preocupante. “Muitas das doenças transmitidas pelo mosquito não são explicadas nem pelos melhores cientistas.” Segundo ele, grandes figuras bíblicas fizeram jejum antes de enfrentar grandes desafios. “Eu me inspirei no gesto de Neemias, que jejuou antes de reconstruir as muralhas de Jerusalém.”

Marcus ainda não decidiu se vai repetir a edição do decreto em outras ocasiões. Ele disse que seus opositores criticaram a medida, alegando que é demagógica. “Mas, de forma geral, a recepção foi boa.” Para o prefeito, a oração e o jejum são maneiras importantes de combater a dengue, mas não dispensam outros cuidados. “Nós também baixamos decreto impondo multas para terrenos sujos e permitindo a entrada dos agentes em imóveis fechados.”

Na cidade de 5.265 habitantes, o pastor evangélico Isaías Vieira de Sousa cumpriu o decreto. Amigo do prefeito, ele pediu que aos fiéis de sua igreja que refletissem sobre a epidemia. Já o padre católico Roberto Bueno, da paróquia Nossa Senhora do Rosário, a principal da cidade, disse que o decreto revela fanatismo. “Deus vai ajudar se ele fizer a parte dele como administrador. Quem está com dengue, se faz jejum, piora e até corre o risco de morrer.”

 

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