Hemorio (@hemorio)/Twitter
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Vacinação contra febre amarela em SP começa quinta, com senha em domicílio

No interior paulista, cidades passam a exigir comprovante de residência para quem procura o serviço

Fabiana Cambricoli, José Maria Tomazela e Roberta Jansen, O Estado de S.Paulo

22 Janeiro 2018 | 18h21
Atualizado 22 Janeiro 2018 | 22h12

RIO, SÃO PAULO E SOROCABA - Após registrar longas filas em busca da vacina da febre amarela, além de casos de desabastecimento, a Prefeitura de São Paulo passará a distribuir senhas nas casas dos paulistanos na próxima fase da campanha de vacinação, que foi antecipada para quinta-feira. Anteriormente, a gestão municipal havia informado que a imunização ocorreria a partir de sexta-feira, por causa do feriado dos 464 anos do Município. No interior, várias cidades também alteraram esquema de imunização.

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A nova fase da campanha, que terá somente doses fracionadas, tem como objetivo imunizar os moradores de 16 distritos com prioridade nas zonas leste e sul da capital. Ao contrário do que vinha ocorrendo até agora, não serão distribuídas senhas nas unidades de saúde.

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Agentes comunitários de saúde e integrantes de associações de bairro passarão nas casas dos paulistanos dessas regiões entregando as senhas. O morador poderá escolher entre dois ou três dias diferentes para receber a imunização. “Ao longo da campanha, que vai de 25 janeiro a 24 de fevereiro, iremos distribuir progressivamente as senhas para, assim, não ter necessidade de formar filas”, declarou nesta segunda-feira, 22, o secretário municipal da Saúde, Wilson Pollara.

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As senhas começarão a ser entregues hoje. O site da secretaria trará a lista de endereços por onde os representantes da gestão passarão naquele dia, entregando. Caso o morador não esteja em casa no momento da passagem do agente, poderá procurar a Unidade Básica de Saúde de referência de seu bairro, com comprovante de endereço, para ser imunizado.

Os paulistanos que não moram nesses 16 distritos, mas que vão viajar para área de risco, deverão procurar uma das 17 unidades de referência em saúde do viajante para tomar a vacina. “Pedimos que somente quem vai para área de risco procure essas unidades. Se houver um afluxo muito grande de pessoas, vamos passar a exigir comprovante de viagem”, alertou o secretário. Nessas unidades, será oferecida a vacina fracionada para quem tiver viagem marcada para dentro do Brasil e a dose padrão para os viajantes internacionais.

Na zona norte, onde todos os postos de saúde até agora estão oferecendo a vacina, a oferta do imunizante passará a ser restrita a poucas unidades, somente para os moradores que ainda não foram protegidos. Nesses casos, não haverá distribuição de senha nas residências.

Também nesta segunda a Prefeitura apresentou o cronograma atualizado de vacinação de toda a população. Após finalizar a campanha nos 16 distritos das zonas sul e leste, a secretaria fará outras três fases de imunização, nos meses de março, abril e maio. Em cada uma, a previsão é vacinar cerca de 2 milhões de pessoas. A previsão do secretário é de que todos os paulistanos estejam imunizados até o meio do ano.

Interior

A corrida aos postos de saúde fez prefeituras de municípios do interior também estabelecerem novas regras para a imunização. Depois que um morador de 48 anos morreu, na madrugada de domingo, 21, com suspeita de febre amarela, Jundiaí decidiu exigir comprovante de residência para quem procura os postos. A mesma medida foi anunciada pelo município de Atibaia, onde um homem de 35 anos morreu na quinta-feira com sintomas da doença. As duas mortes são investigadas e o resultado dos exames devem sair em até dez dias. Outras sete cidades da região, incluindo Campinas e Piracicaba, passaram a exigir comprovante de residência para aplicar a vacina. Em todas há filas nos postos.

Os municípios justificam a medida alegando estar recebendo muitos moradores de outras cidades. Já o Ministério da Saúde informou que Estados e municípios têm autonomia para organizar a distribuição e a aplicação, conforme os critérios de prioridade definidos pela pasta. 

O prefeito de Mairiporã, Antonio Aiacyda (PSDB), estará em Brasília hoje para pedir ao Ministério da Saúde auxílio no combate à doença. A cidade mais afetada pela febre amarela até agora já restringiu a oferta de vacinas a quem não é do município. 

“Apesar de termos atingido 100% da cobertura vacinal, ainda estamos com dificuldades. Precisamos de auxílio de órgãos superiores. Por isso vou à Brasília solicitar apoio”, disse o prefeito. Mairiporã já registra 41 casos e 14 óbitos pela doença desde janeiro do ano passado.

Sangue em troca de vacina

O Instituto Estadual de Hematologia do Rio (Hemorio) começou nesta segunda a oferecer uma dose da vacina contra a febre amarela a quem for doar sangue na unidade. No Estado, morreram mais duas pessoas, totalizando sete óbitos em 2018.

 

Vacina fracionada vale por até 8 anos

Perguntas & respostas

1. Como a doença é transmitida?

Pela picada de mosquitos portadores do vírus. Em regiões de campo e floresta, o principal mosquito transmissor é o Haemagogus. O vírus também pode ser transmitido pelo Aedes aegypti, na forma urbana da doença. Casos de transmissão urbana, no entanto, não são registrados desde 1942. 

2. Quais são os sintomas?

A doença, que não é transmissível, provoca calafrios, dor de cabeça, nas costas e no corpo, náuseas e vômitos, fadiga e fraqueza. Os primeiros sintomas aparecem de três a seis dias depois da infecção. Cerca de 10% dos pacientes desenvolvem a forma grave da doença, cujo índice de letalidade fica próximo de 50%. 

3. Quais são as reações possíveis à vacina? Ela deve ser tomada por todos?

Efeitos colaterais da vacina são raros. O imunizante é contraindicado para crianças menores de 6 meses, pessoas imunossuprimidas e com reação alérgica a ovo. Idosos acima dos 60 anos, gestantes, pessoas portadoras do vírus HIV ou com doenças hematológicas devem passar por avaliação.

4. Já sou vacinado. Preciso repetir a dose?

Segundo a OMS e o Ministério da Saúde, estudos mostram que uma só aplicação é capaz de dar imunidade por toda a vida.

5. E se vier a tomar a dose fracionada? Ela é segura?

Sim, ela tem a mesma eficácia da dose integral, mas protege por até oito anos, segundo o ministério.

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